Hora do Som Eterno: A hora do metal nacional na Warfare

Confira a playlist da emissão desta semana.

Somo Eterno: Temos novo nome e nova morada

Webzine e rede social: O culto ao Metal.

Smooth Comforts False: Primeiras Impressões

O Ep "Secret" e o álbum "Metaphortime" colocaram a bitola de expectativas para o segundo álbum dos Thee Orakle muito alta...

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28 de outubro de 2011

Cinemuerte - Wild Grown


Sony Music Entertainment / 2011

Os Cinemuerte chegam ao terceiro álbum agora com o selo de uma multinacional, a Sony Music Entertainment. Um salto de uma pequena e independente editora para uma grande editora como a Sony pode levar uma banda a repensar a sua música, caindo aos caprichos da industria musical e enveredando por tonalidades mais "soft" com um piscar de olho ao mainstream. Os Cinemuerte mantêm-se fieis aquilo que têm feito, não evitando de acrescentar algumas nuances ao que era seu apanágio, consolidando assim uma identidade própria.

"Wild Grown" é o mais "orgânico" registo do duo Sophia Vieira e João Vaz, distanciando-se das linhas electrónicas e até mesmo góticas dos primeiros registos. Este é um excelente disco de rock alternativo directo e agressivo qb mas sem nunca esquecer as melodias com que nos habituaram. Mantem-se também a característica radiofónica que sempre marcou a musica dos Cinemuerte, com temas orelhudos, ritmos balanceados e a estupenda voz de Sophia, que mais uma vez apresenta enorme capacidade para jogar com varias "tonalidades" vocais o que permite uma considerável elasticidade à musica da banda.

Como um disco de Cinemuerte que se preze, este está recheado de poderosos temas capazes de "perdurarem" no ouvido mesmo momentos após ser desligado o player. Bons exemplos são "Stealing Light", "Unquiet Thoughts" e "On The Wild Grown Grass".

Sons e informação adicional: Sitio Oficial / Facebook / Myspace

26 de outubro de 2011

Grog - Scooping The Cranial Insides


 Murder Records / 2011

Dez anos separam "“Ode To The Carnivorous” do actual "Scooping The Cranial Insides". Anos que serviram para amadurecer ideias e apurar a técnica. Começa por aqui a diferença entre o trabalho actual do seu antecessor. "Scooping... " apresenta um som mais polido e tecnicamente mais rico mas nem por isso menos agressivo.

Falar de Grog é falar de um dos expoentes máximos do Grindcore nacional e a ter em conta ao novo registo convém dizer que pouco ou nada deve ao melhor do que se faz dentro do género a nível internacional.

Com uma secção rítmica frenética, os riffs alucinantes de Ivo e poderosa voz de Pedra, a musica impressiona pela brutalidade bem complementada pela sagacidade técnica dos seus executantes.

Mantendo-se fieis à sua imagem os Grog podem nem criarem algo de novo mas essa fidelização à sua identidade revela-se frutuosa, pois as musicas de "Scooping The Cranial Insides" revelam a a superior capacidade criativa da banda conseguindo malhas que conjugam exemplarmente ritmos avassaladores com "pormaiores" técnicos que prendem o ouvinte.

Um disco obrigatório para amantes do género e um dos mais fortes trabalhos do ano.

Malhas que se destacam "Split 3 To Share", Ravenous Loathing”.

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Grog: Novo disco à venda

25 de outubro de 2011

Skypho - Same Old Sin


Edição de Autor / 2011

Depois de "Nowhere Neverland", os Skypho dão mais um passo seguro na sua afirmação no seio da música de peso portuguesa com o álbum de estreia "Same Old Sin".

Naquilo que o Ep e as demos que o precederam prometiam, o novo registo mais do que confirma. Os Skypho são actualmente um dos projectos mais "refrescantes" do Metal nacional.

Gravado nos mesmos IM Estúdios (Porto) onde foi gravado o Ep, o álbum regista a continuação da colaboração de Ivo Magalhães na produção. Uma colaboração que tem dado bons frutos. Se a captação dos sons decorreram em Portugal já a masterização decorreu na Suécia, mais concretamente nos Fascination Street Studios, trabalho este a encargo de Jens Bogren (conhecido pela colaboração com bandas como Opeth, Katathonia e Soilwork entre outras).

Se em "Nowhere Neverland" era notória uma diversidade em termos de raízes musicais em "Same Old Sin" a musica da banda atinge outra plenitude. Durante os 13 temas não é de todo estranho encontrar referências a várias vertentes musicais. Desde as melodias Grunge/Pós Grunge, passando pelos ritmos ora inquietos do Ska ora quentes das musicas tribais, até à força do Metal (ora com incursões na vertente Nu Metal ou em linhas mais agressivas como o Thash).

Mas o mais impressionante é que os Skypho conseguem esta incursão pelos vários territórios musicais superiormente mantendo uma linha condutora que lhes permite ter uma identidade vincada.

"Same Old Sin" recomenda-se fortemente e assume-se como um dos registos do ano do nosso meio. Experimente e deixe-se levar por esta experiência musical capaz de lhe surpreender.

Temas em destaque: "Spirit" , "Demon's Party" e os renovados "My Insomnia", "Nowhere Neverland".


Sons e Informação adicional: Sitio Oficial / Facebook

1 de julho de 2011

Ibéria - Revolution


Espacial Música / 2011

Valeu a pena esperar tanto tempo para ouvir um novo registo dos Ibéria. Vinte um anos separam "Revolution" de "Heroes of Wasteland", quinze anos após a infeliz separação da banda.

O trabalho iniciado em 2007 por João Sérgio de ressucitar a banda é fortemente compensador, "Revolution" lançado por uns Ibéria de "cara lavada" via Espacial Música é um soberbo disco de Hard Rock.

Obviamente, tendo em conta a diferença temporal aliado ao facto de da antiga formação apenas se manter João Sérgio, qualquer comparação entre "Revolution" e os dois primeiros registos da banda arrisca-se a ser um exercício ingrato. Em vez do Hard'n'Heavy vigoroso das origens a banda pratica agora um Hard Rock orelhudo, espontâneo e repleto de belos riffs de guitarra. Meritória referência à voz de Miguel Freitas que encaixa na perfeição na sonoridade da banda.

Músicas como "All Night Flying", "Stooge", "Tunning Back", "Ride", "N.I.T.R.O."  e o tema-titulo fazem-nos reviver a irreverência do rock. Um regresso em força desta grande banda do rock pesado nacional.

Ligações: Sitio Oficial / Myspace / Facebook

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Single para download
Video Gravado

30 de junho de 2011

Alexandre Cthulhu - Psyche


 Ep/Heavy Rock Productions/2011

O guitarrista Alexandre Cthulhu lançou via Heavy Rock Productions o Ep intitulado por "Psyche".


O registo conta com a produção de Alexandre e Paulo Vieira, este último ficou também encarregue da masterização.

Os quatro temas todo eles instrumentais percorrem os meandros do Blues ao Hard'n'Heavy com Joe Satriani e Steve Vai como principais referências. "Psyche" resulta assim num óptimo registo para amantes do género e não só.

Eis o alinhamento do EP:

1 - Jack The Junkie
2 - Angels
3 - Street Racers
4 - Back to School

18 de junho de 2011

UHDN: Pacto musical

Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism (UHDN) é um projecto a solo do multi-instrumentalista madeirense Élvio Rodrigues conhecido pelo percurso em Through Darkness.

Élvio lançou este ano um álbum de estreia auto-produzido intitulado por "Pact With Solitude". Para conhecer melhor este projecto e trabalho deixamos cá para audição uma conversa tida com Élvio e uma analise ao álbum:


Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism - Pact With Solitude


Edição de Autor / 2011

Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism foi criado pelo madeirense Élvio Rodrigues com o intuito de explorar as suas ideias por sua conta e risco uma vez que enquanto banda a sua experiência em Through Darkness se revelou infrutífera, não do ponto de vista musical mas na captação de elementos (talvez pela insularidade) para que permitissem o desenvolvimento do projecto.

"Pact With Solitude" resulta do acumular de ideias que vêm desde 2004. Talvez por isso, este é um registo com uma vertente muito pessoal e até introspectiva. Do ponto de vista musical extremamente é abrangente em termos de sonoridades e texturas desde as mais melódicas, com ambientes sonoros calmos, intimistas e cativantes, às mais extremas com violentas de Death e até Black Metal, passando por momentos musicais de linha progressiva. Aliás, um denominador comum em toda a obra é o dedilhar constante da guitarra de Élvio que sem entrar em grandes preciosismos técnicos consegue criar riffs penetrantes e contagiantes.

Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism consegue pois uma estreia que promete pela ambivalência musical e tem muito a ganhar se conseguir granjear maior consistência em termos de composição especialmente no equilibro entre as diversas vertentes. Outro factor relevante, a produção "caseira" acaba por ser um pouco "castradora" em relação ao real potencial que esta obra tem. Pela riqueza musical este é um registo que ganharia bastante com uma produção mais cuidada.

Outro factor a rever é a agregação de vários temas como um só. Ao contrário que o tracklist indica este não é um registo de quatro faixas. Élvio decidiu juntar vários temas em apenas quatro tendo em conta a sua ligação conceptual. Esta é pois uma decisão que se aceita mas no entanto os temas ganhariam maior relevância se fossem separados resultando assim temas mais curtos e concisos em vez de temas demasiado longos.

Sons e informação adicional em: Myspace / Facebook

15 de junho de 2011

Legacy of Cynthia - Voyage


Ep / Edição de Autor / 2011

Surgiram em 2010 e num ápice enfiaram-se nos Trigger Studios sobre a orientação de Rui Danin. O Ep "Voyage" é o resultado desta experiência.

São 5 temas, em que quatro deles ultrapassam a barreira dos sete minutos, enquanto que "After The Rain" o instrumental que fecha o disco pouco passa dos três minutos.

Já cá tínhamos falado de "Voyage", numa primeira impressão do disco da banda de Sintra e após uma audição mais cuidada corroboramos com o que aqui foi dito.

Música de cadência melódica, "confeccionada" com paisagens serenas e até melancólicas ainda que intercaladas a espaços com momentos de maior dinâmica rítmica é a proposta dos Legacy of Cynthia. O som desta banda "move-se em correntes" progressivas cujo "percurso" vai do Rock alternativo ao Metal.

Outro factor que merece ser realçado, a música de Legacy of Cynthia não é de "consumo imediato", tal como um bom "néctar" exige ser degustado lentamente. Quanto mais hipóteses der a este registo de passar no player, as possibilidades de se render a ele aumentam substancialmente.

Contudo, apesar de ser um óptimo trabalho de estreia existem alguns pontos que podem vir a ser melhoradas. A música teria a ganhar bastante com um trabalho de vozes com outra dinâmica, a banda pode colher mais valias do facto de ter dois vocalistas que não conseguiu granjear na sua plenitude.

"Voyage" demonstra uma banda que apesar da sua curta existência sabe que terrenos pisa e como pode potenciar as suas qualidades. O primeiro passo foi dado.


Relacionados:

Legacy of Cynthia: Viagem anunciada
Legacy of Cynthia: Artwork e Alinhamento do Ep


Ligações:

http://www.myspace.com/legacyofcynthia
http://www.facebook.com/legacy.cynthia
http://www.youtube.com/user/LEGACYOFCYNTHIA
http://palcoprincipal.sapo.pt/legacy_of_cynthia
http://www.reverbnation.com/legacyofcynthia

23 de maio de 2011

Heavenwood - Abyss Masterpiece


Listenable Records / 2011

Há no meio nacional bandas que sempre que lançam um novo longa duração este arrisca-se a ser um dos fortes candidatos a álbum do ano. Os portuenses Heavenwood são um desses casos e o novo álbum da banda não foge a esse estigma, “Abyss Masterpiece” é um digno sucessor do anterior registo que marcou o regresso da banda às actividades discográficas após um hiato de quase 10 anos.

“Abyss Masterpiece” representa também um passo em frente na orientação musical da banda que se apresenta agora menos “refém” das suas influências e e com ideias mais convictas. Tem a banda a ganhar com isso e têm os adeptos desta sonoridade.

Talvez seja cedo para dissecar a importância deste trabalho no que respeita à carreira  da banda, o tempo costuma ser um bom juiz também no que à música diz respeito mas até neste aspecto este álbum parece marcar pontos, “Morning Glory Clouds” , “Leonor”,  “Once a Burden” e “Sudden Scars” parecem reunir características que lhes permitem permanecer no ouvido por muito e bom tempo se bem que esta seja uma obra muito coerente e nivelada por cima.

Para descrever da melhor forma “Abyss Masterpiece”, arriscamos a  dizer que este é um disco que parece ganhar vontade própria e teima em ser ouvido continuadamente.

Ligações: Myspace / Facebook / Editora

23 de abril de 2011

Ava Inferi - Onyx


2011 - Season Of Mist

Movendo-se por sonoridades que vão do Doom Metal arrastado e sombrio às melodias melancolias e quentes do Metal Gótico, os Ava Inferi assumem-se como uma espécie de case study dentro do panorama nacional. A influência como um nome como o de Rune Eriksen (ex-Mayhem) pode ter na evolução e internacionalização que a banda tem granjeado não pode ser ignorada, mas esta “escalada” deve-se essencialmente à qualidade da música da banda.

Outro factor é o crescendo em termos qualitativos e de maturidade criativa que a banda vem demonstrando a cada novo registo. O mais recente disco, “Onyx”, é uma extraordinária demonstração desta evolução.
“Onyx” é o mais coerente e consistente trabalho da banda e aquele parece assumir um maior cunho de identidade da banda.

A desconcertante voz de Carmen e os "gemidos" inquietantes que desabrocham da guitarra de Rune são mais-valias que não merecem ser ignoradas mas não será desajustado destacar todo o excelente trabalho a nível instrumental que permite criar uma diversidade de ambiências onde também os samples seleccionados têm importante contributo.

Assim sendo, pelos motivos apresentados “Onyx” é um trabalho que se recomenda e surge como referência quase obrigatória para apreciadores deste género musical.

Não poderia finalizar este texto sem mencionar temas como “The Living End” e “By Candlelight & Mirrors” que teimam em perdurar na memória após a sua audição.

Ligações: Myspace / Facebook


22 de abril de 2011

Equaleft - ...The Truth Vnravels

 Ep - Edição de Autor - 2010

Os Equaleft, cujas origens remontam para 2003, têm vindo recentemente a emergir como uma das formações mais criativas da música de peso lusitana. Se a demo "As The Irony Prevails" anunciava isso, o Ep "...The Truth Vnravels" é uma cabal demonstração da capacidade da banda.

Conjugando superiormente elementos de fusão (notórias influencias de Cynic) com um Thrash/Death musculado e carregado de Groove a música de Equaleft surpreende o ouvinte pelo seu ecletismo e capacidade de metamorfose.

Apesar de toda a esquizofrenia musical há uma constância na música de Equaleft, os grunhidos inquietantes de Miguel e uma secção rítmica frenética, uma característica que se lhes reconhece como profícua especialmente nas suas atuações ao vivo.

"...The Truth Vnravels" representa um sólido passo na afirmação dos Equaleft e reclama por um registo sucessor de maior duração. Um trabalho onde se espera que a banda surja com uma identidade mais vincada. Um percurso que se antevê com naturalidade.

Ligações: Myspace / Facebook

24 de março de 2011

Urban Tales - Loneliness Still Is The Friend


Compact Records / 2011

Normalmente o grande teste para as bandas não é no seu primeiro álbum mas sim no segundo. Ou o disco é muito bom e atesta a qualidade da banda ou desilude e deixa cair sobre a banda a dúvida de que um primeiro disco foi obra de um momento de inspiração sem corresponder ao real valor da banda. Os Urban Tales passaram com total distinção este teste, "Loneliness Still Is The Friend" não fica a perder em relação ao trabalho de estreia "Diary of a No".

Outro factor interessante, a banda podia "colar-se" ao trabalho de estreia e manter uma sequência identica, seria lógico. No entanto a banda decide arriscar algo mais, embora mantendo a mesma identidade demonstrada em "Diary of a No" este novo trabalho é mais audaz, mais rico.

"Loneliness Still Is The Friend" mantem os traços melódicos carateristicas na música de UT mas acrescenta maior agressivade resultando num registo mais directo e porque não dizer mais sincero.

Rock/Metal Gótico? Não é de todo desajustada esta conotação. Contudo existem bandas que qualquer conotação acaba por ser redutora. Urban Tales trancendem qualquer género ou sub-genero. Gótico deixa de ser a definição do som da banda para para passar o ponto de partida. Loneliness Still Is The Friend" é um excelente disco de música, de canções na sua concepção mais genuina. E este é um dos pontos fortes do álbum.

"Loneliness Still Is The Friend" é pois um excelente disco que vai criando maior empatia a cada audição até á rendição do ouvinte.

Temas mais fortes? Os singles escolhidos ("Stand Alone" e "Fly Away") foram uma boa opção, mas o disco vale pelo seu todo. E vale muito.

3 de janeiro de 2011

Vertigo Steps - The Melancholy Hour


CD Baby / 2010

Existem trabalhos discograficos que pela sua qualidade, pela sua riqueza e abrangência musical se tornam como uma especie de desafio para a pessoa que se propoe analisar a obra. “The Melancholy Hour” dos Vertigo Steps é um desses trabalhos.

De facto, é complicar transcrever em palavras aquilo que a música de Vertigo Steps consegue transmitir do ponto de vista sensasorial e emocional, para além de que do ponto de vista músical se torne redutor procurar classificar/categorizar o som de “The Melancholy Hour”. Rock/Metal progressivo, alternativo, ligeiro toque a gótico,  etc... Isto é Vertigo Steps e chega!

O que importa realçar é que a música deste segundo álbum é de uma qualidade e de uma consistência deslumbrante. Sublime "travo" a "Vintage”.

Mais, ouvir temas como “Inhale”, “Reel World”, “Through Sham Lenses”, “Silentground” e “Burial Light” resulta numa fantástica viagem por emoções e experiências, tal é a intensidade da música de Vertigo Steps.

Para finalizar, apenas para registo (ou talvez não), importa salientar os nomes e a história ligados a Vertigo Steps:

Vertigo Steps nasceu por intermédio de Bruno A., instrumentista multi-facetado (guitarra, teclas) que contou com passagens por Arcane Wisdom e Redstains até criar Vertigo Steps e ao qual se juntou o vocalista Niko Mankinen (ex-Misery Inc.). Aos dois membros originais juntou-se Daniel Cardoso (produtor dos dois trabalhos da banda) que assumiu a bateria e o baixo. Além destes e à semelhança do que já se tinha verificado no trabalho de estreia (auto-intitulado), “Melancholy Hour” conta com algumas participações exteriores que são Jules Naveri (Insomnium, Profane Omen, Enemy Of The Sun), Stein R. Sordal (Green Carnation), Sophie (Understream) e Rui Viegas (Arcane Wisdom).


Myspace music playerQuantcast

Ligações:

http://www.myspace.com/vertigosteps
http://www.facebook.com/vertigosteps
http://www.cdbaby.com/Artist/VertigoSteps

25 de novembro de 2010

Waterland: Virtual Time


Edição de Autor / 2010


Surpresa em 2008, forte confirmação de valor em 2010. Referimo-nos aos Waterland que nos presentearam neste final de ano com o seu segundo trabalho, o excelente "Virtual Time".

Heavy/Power de cariz melódico e bom recorte técnico é a formula de Waterland. Uma formula que já tinha dado bons resultados no disco de estreia e que se apresenta agora em melhor nivel. Já o tinha afirmado na altura do disco homonimo da banda noutro espaço, os Waterland são uma pedrada no charco no panorama português e reafirmo de novo. São, acima de tudo, pelo seu som refrescante que marca a diferença em relação ao que se costuma fazer em Portugal no que respeita ao som de peso.

A banda de Miguel Gomes não cria essencialmente nada de novo. A sonoridade da banda é fortemente influenciada pelo Power Metal melódico europeu, isso é bem visivel. A banda "assume" com a sua música essa influência, mas faz-no com caracter e com inteligência. Apesar das referências a Helloween e Stratovarius serem aceites, a banda não se cola a nenhuma dessas bandas, tem uma identidade própria. Já a tinha em "Waterland" mas aparece mais vincada em "Virtual Time".

Melodias cativantes, riffs de guitarra vertiginosos sempre bem acompanhados pelos teclados e vocalizações harmoniosas são os pontos fortes de "Virtual Time". É neste último pormenor (vozes) que se nota maior evolução em relação ao trabalho anterior. A co-habitação das vozes de Bruno e Marco resulta extraordináriamente, sempre num timbre cuidado e sem os excessos que muitas vezes se encontram em trabalhos do género.

Além da evolução que se pode (e deve) apontar á banda, o acréscimo de qualidade de "Virtual Time" em relação ao trabalho anterior resulta da melhor produção deste novo disco.

Num disco recheado de excelentes músicas torna-se complicado escolher algumas, contudo destaco "Destiny II", ""Wait Forever", "Carry On", e a balada "You and I".

6 de novembro de 2010

Painted Black: Metal com sentimento


Depois de dois registos de autor alvos de uma recepção bem aceitável e que valeu à banda ser eleita pelos leitores da revista "Loud" como a melhor banda portuguesa de metal sem contracto discográfico durante 3 anos, os Painted Black chegaram a acordo com a Ethereal Sound Works pela qual lançaram o almejado álbum de estreia. "Cold Confort" é um dos discos do ano. Música enleante, combinando com sobriedade peso e melodia, melancolia e agressividade que resulta numa formula que merece colher frutos. Alguns meses após a edição do disco procuramos saber como tem sido "digerida" a recepção a "Cold Confort". As palavras são do guitarrista da banda, Luis Fazendeiro.


Longa distancia vai da edição de “The Neverlight” para “Cold Comfort”, mas muito maior é diferença entra as duas obras. Mais do que evolução é justo dizer que houve uma transformação na sonoridade Painted Black?

“O Neverlight” foi lançado há 5 anos e ainda tivemos pelo meio o “Verbo”, mas acho natural que nesse espaço de tempo tenhamos crescido como banda. Acho que o nosso som não teve uma transformação muito radical mas crescemos a nível musical e a nível de composição nestes anos e juntamente com a nossa vontade de começar a explorar novas linguagens musicais resultou no que se pode ouvir no “Cold Comfort”. De qualquer forma, a nossa maneira de compor não se alterou muito e continuamos a dar muito de nós em cada nota e cada palavra, e é esta a única maneira que sabemos fazer música.

Alguns meses após a edição de “Cold Confort” já é possível uma auto-critica mais fria e distante da vossa parte ao álbum? Que auto-critica fazem?

Estamos realmente muito orgulhosos do disco que fizemos e da viagem que percorremos até chegar a ele. A maioria das críticas ao disco têm sido bastante lisonjeadoras e não estavamos realmente nada à espera. Quanto à minha auto-critica, acho que temos músicas bastante fortes, e que serão dificilmente repetiveis. Estou a falar por exemplo da “Via Dolorosa” e da “Inevitability”. Foram dos últimos temas a aparecer antes das gravações e acho que “chegaram” em muito boa altura. É óbvio que gosto de todos os temas, porque de certa maneira fazem parte de mim, aliás todos nós na banda gostamos de todas as músicas, principalmente com a excelente produção do Pedro Mendes e do Daniel Cardoso, mas há sempre alguns pormenores que podiam ter saído melhor. Acho que é normal fazer esse tipo de reparos quando já conseguimos ouvir as músicas de uma forma mais fria, mas era um dos nossos grandes sonhos de vida lançar um álbum do qual pudéssemos estar orgulhosos e estamos completamente satisfeitos.

Quando iniciaram gravações presumo que ainda não havia luz sobre uma editora que lançasse o álbum. Quando surgiu a  Ethereal Sound Works e como surgiu? Estão satisfeitos com a colaboração da editora com a banda?

O nosso contacto com a Ethereal Sound Works já vem de antes da edição do álbum. Quando lançámos o “Verbo” eles mostraram interesse em ter exemplares à venda na sua loja online. Na altura de sondar editoras, enviámos-lhes um promo-CD e de todas as propostas que recebemos a deles foi a que mais nos agradou. A partir daí foi um processo natural e eles têm cumprido bem a parte deles. Neste momento a preocupação é na distribuição do disco fora de Portugal, mas estão a ser feitos esforços nesse sentido.

A esta altura têm também uma ideia mais concisa da aceitação do álbum pelo publico já que pelos média ela está a ser muito favorável. Como tem sido esse feedback?

O feedback mais directo tem sido em grande parte dos média mas as reacções das pessoas que têm partilhado a sua opinião connosco têm sido muito boas.  É sempre muito tocante sentir que a nossa música consegue despertar emoções em quem nos ouve e esse é realmente o maior presente que poderíamos ter. Sentimos que estamos a chegar a mais público mas no entanto sabemos que ainda temos que fazer mais trabalho de promoção e estamos a canalizar esforços nesse sentido.

Voltando ao álbum e à musica propriamente. Um dos aspectos que me parecem relevantes é que apesar de haver um “fio condutor” em toda a obra os temas são todos distintos entre si contribuindo para uma maior heterogeneidade. Comungam dessa ideia?

Sim, a variedade sempre pautou a nossa música e não somos claramente uma banda que use uma fórmula fixa para todos os temas que fazemos. A nível lírico existe de facto um fio condutor, mas que não foi de todo propositado, nem foi elaborado para ser algo conceptual. Musicalmente  sentimo-nos como uma banda de metal mas não temos problema nenhum em criar músicas completamente acústicas e atmosféricas. Este aspecto já levou algumas pessoas a dizer que ainda estamos à procura de uma identidade e em parte até concordo. De qualquer forma, não nos estou a ver a abandonar a nossa “heterogeneidade” como referes, até porque  isso faz parte daquilo que construímos até agora e da nossa identidade. Não nos queremos de forma alguma limitar na maneira como nos exprimimos e na maneira como sentimos a nossa música, queremos sempre ser completamente honestos e verdadeiros naquilo que fazemos.

Já tiveram alguns concertos de promoção ao álbum na zona da Grande Lisboa. Perspectivam algo para outras zonas do pais ou estão dependentes dos convites que possam surgir?

Já temos alguns concertos confirmados para outras zonas do país onde nunca tocámos antes, nomeadamente em Mangualde, no 17º Mangualde Hard Metal Fest e em Ílhavo, no X Blindagem Metal Fest. De qualquer maneira estamos sempre dependentes de convites. Já tentámos várias vezes dar o primeiro passo mas infelizmente na maioria das vezes não tivemos retorno do outro lado.

Cada vez mais as conotações musicais tendem a ser redutoras. Vocês apesar de reconhecerem algumas influências vindas do Doom Metal nunca se identificaram como tal. “Cold Confort” surge um pouco como a consumação de um “divorcio” com o Doom. Qual a vossa posição sobre este aspecto?

De facto nunca negámos as nossas influências mais Doom, e desde a altura das maquetes as pessoas sempre nos rotularam como uma banda Doom, mas a verdade é que sempre sentimos que esse rótulo era demasiado redutor, e apesar de sermos fãs do género, não conseguimos ver o paralelo com o que nós fazemos com o que fazem os Process Of Guilt ou os Before The Rain, só para dar dois bons exemplos nacionais. Acho que a primeira música do álbum, “Via Dolorosa” quebra logo esse estigma, mas há mais exemplos, como o single “Winter”. Obviamente não foi uma escolha consciente, porque fazemos sempre o que sentimos e o o álbum é simplesmente um testemunho de uma fase que passámos enquanto pessoas e músicos. Tem elementos de vários sub-estilos dentro do Metal, algumas críticas até já apontaram que tinhamos alguns apontamentos de Post-Rock e outros mais Progressivos, mas nós não pensamos nisso, nem nunca nos sentámos a uma mesa para discutir o estilo a seguir. Talvez o próximo registo seja mais atmosférico ou então caminhe num sentido mais próximo do Rock, é algo que vai depender sempre do nosso estado de espírito mas com a certeza que será sempre sentido e verdadeiro.

A evolução e crescimento dos Painted Black tem sido gradual mas consistente. Depois de conseguirem o contrato com uma editora e verem editado um trabalho vosso em formato profissional qual o próximo passo mais concretizavel?

Neste momento estamos bastante concentrados em tocar o máximo ao vivo e promover o melhor possível o disco. No próximo ano a banda irá fazer o seu 10º aniversário e também queremos fazer algo especial para celebrar essa data. Quando esta fase de concertos acabar, o passo seguinte será claramente criar o nosso segundo álbum, mas ainda é demasiado cedo para entrar em detalhes.


Painted Black – Cold Confort


Etheral Sound Works / 2010

Encontramos-nos numa fase em que a música de peso se vai despindo de algum sentimento (que era seu apanágio e que relembramos com alguma nostalgia nos clássicos que algumas vezes recorremos) privilegiando cada vez mais a agressividade e a técnica em fartos casos explorados até à exaustão. Em alguns casos (não tão raros quanto isso) a música mais parece um exercício matemático. Tão desprovida de sentimento que chega a ser.

Restam algumas excepções que alegram os adeptos com uma visão mais romântica do som eterno. Em Portugal os Painted Black são uma dessas honrosas excepções. E ainda bem!

Toda a música desta banda “transpira” sentimento. Algo que até se percebe pelas declarações prestadas pelo guitarrista da banda, Luis Fazendeiro. Sentimento esse que tem sido o denominador comum na evolução que se tem registado.

Em “Cold Confort” os Painted Black deram um passo maior do que tinham dado de “The Neverlight” para “Verbo”. Nunca se denotou na música de Painted Black tamanha ambiguidade como a registada no álbum de estreia da banda que deu os primeiros passos em Covilhã. Mais do que crescer os Painted Black moldaram o seu som e estão hoje mais perto da identidade que assumem procurar.

Os ambientes registados em temas antigos como por exemplo “The Everlasting Guilt”, “The Desolate Plead” e “Expire” apenas as espaços se encontram. Em troca, as músicas em “Cold Confort” demonstram maior abrangência e riqueza em termos de tempos, ritmos e outros detalhes que dificultam a conotação da música da banda como Doom Metal. “Cold Confort” é um excelente disco de Metal e procurar sub-categorizar o som da banda será um exercício redutor.

A terminar não poderia deixar de destacar dois temas que merecem ser realçados: “Via Dolorosa”, esplêndida "explosão" ritmica alternada com momentos ambientais e carregada de enorme feeling. “Inevitability”, deliciosa e harmoniosa melodia capaz de agarrar o ouvinte do primeiro ao último instante. Dois temas tão diferentes e que tão bem representam aquilo que é a música de Painted Black.

28 de outubro de 2010

Dark Wings Syndrome - Arcane


Ethereal Sound Works / 2010

Criados por iniativa de Barros Onyx os Dark Wings Syndrome (DWS) apresentam-se como uma bela surpresa no panorama nacional.

Conhecido pela sua passagem pelos The SynphOnyx, a sonoridade deste novo projecto de Barros Onyx herdou um pouco da faceta progressiva da extinta banda de Guimarães, no entanto ficar por essa comparação é no minimo redutor.

Longe de ter uma estrutura sinfónica que o som da antiga banda de Barros apresentava e que os seus sucessores naturais (Neonirico) com maior vigor exploram, DWS apresentam um som mais organico e dotado de maior peso.

Aparte de esta comparação que se compreende pelo passado do mentor deste projecto mais há para dizer sobre "Arcane". Este é um excelente trabalho de metal progressivo, uma obra que combina exemplarmente peso com melodia. Mas são muitos mais os motivos de interesse: a riqueza em termos da estrutura dos temas do álbum, os "deliciosos" riffs de guitarra, as "inebriantes" alterações de tempos e ritmos, as participações externas à banda que mais enriquecem a obra.

No fundo o que mais impressiona em "Arcane" é a enorme demonstração da capacidade criativa desta banda. Dark Wings Syndrome demonstram uma espantosa "maturidade" que lhes permitem ambicionar a explorar uma consideravel diversidade em termos músicais. E deste "pormenor" poucos são os que podem de se orgulhar.

Temas a destacar: "Hade (PT.1)", "My Cristal Cage" e "Unknown Pleasures".

Sons e informação sobre a banda em www.myspace.com/darkwingssyndrome

28 de setembro de 2010

Abysse - Le Vide Est Forme


Edição de Autor

Atmosférico, contagiante, arrasador. Estes são alguns dos adjectivos que podem ser usados para classificar este trabalho dos franceses Abysse.

"Le Vide Est Forme" é uma edição de autor composta por dois temas completamente intrumentais que demonstram a enorme capacidade criativa e técnica desta banda.

Metal progressivo com ligeiro travo de uns Anathema mas sem por isso perder identidade. Uma identidade forte e bem vincada.

O som da banda baseia-se numa conjugação de diversos ambientes e ritmos contribuindo para uma dinamica fantástica. Merece destacar a sucessão de riffs que prendem o ouvinte intercalados com mudanças de "tempos" musicais. Outro aspecto interessante incide no facto de que a banda sendo praticante de metal progressivo e os seus elementos uns executantes de grande qualidade, a banda não cair na tentação de cair em preciosismos técnicos superfluos preferindo sempre concentrarem-se na criação de uma atmosfera "densa" e pesada.

Analogia que nos parece mais arriscada em avançar, mas não de todo despropositada, é o facto de certas fases das musica dos Abysse nos fazerem recordar da sagacidade técnica de uns Metállica ("Orion" é um belo exemplo) numa fase pré "Metallica" (popularmente conhecido por Black Album).

Mais uma brilhante perola exportada pelo underground francês do qual têm surgido soberbos exemplos de criatividade.

Ligações:

http://www.myspace.com/abyssegroupe
http://twitter.com/Abysseband
http://www.facebook.com/pages/Abysse/36367808860

13 de setembro de 2010

A Dream of Poe - Lady of Shalott


Edição de Autor / 2010

A Dream of Poe é uma banda açoriana encabeçada por Miguel Santos multi-instrumentista e produtor bem conhecido nas ilhas.

Com origens em 2006 a banda tem vindo a ganhar notoriedade no meio underground muito por culpa do álbum "For a glance of the lost Lenore" de 2008. Se o disco anterior já tinha deixado óptimas indicações o Ep "Lady of Shallott" em nada desilude.

Doom Metal com cadência gótica, delineado conforme "mandam os livros": som arrastado, soturno, melódico e atmosférico.

"Lady of Shallot" é pois uma obra de qualidade e aconselhada para admiradores do género.

Não obstante os merecidos elogios fica um senão, a música de Dream of Poe ainda está agarrada às referências típicas do género algo que limita a banda em termos criativos. Aspecto que esperamos que a banda consiga superar nos próximos trabalhos. O potencial existe e com apreciável margem de progressão.

Este e outros trabalhos estão disponível para download no Myspace da banda.

13 de julho de 2010

Anathema - We're here because we're here


 Kscope / 2010

Anathema são um dos raros casos do meio Rock/Metal que se mantêm fiel aos seus princípios musicais (especialmente desde que Vincent Cavanagh passou a ser o vocalista da banda algo que levou a uma grande transformação na sonoridade da banda), sem no entanto soarem iguais em registos diferentes. Os Anathema fazem a música que gostam e fazem-na com enorme paixão e perseverança.

Foi provavelmente esta mentalidade que custou há banda dificuldades com editoras que resultou no hiato de sete anos entre "An natural disaster" e o recente "We're here because we're here".

"We´re here because we're here" é portanto uma obra que preenche todos os requisitos obrigatórios para os admiradores desta banda (especialmente os adeptos da sonoridade pós "Eternity"). Toda a carga emocional, a ambiência atmosférica e a textura progressiva de que os fãs esperam de uma obra de Anathema está presente neste disco. Contudo de uma forma mais refinada, mais subtil.

A audição de de "We're here because we're here" resulta numa "viagem" feita de descobertas de que os Anathema conseguem transformar a sua música, vagueando entre géneros tão dispares como o Metal, o Rock Progressivo e Alternativo e até mesmo pelo Pop/Rock Independente. Obrigatório!