Hora do Som Eterno: A hora do metal nacional na Warfare

Confira a playlist da emissão desta semana.

Somo Eterno: Temos novo nome e nova morada

Webzine e rede social: O culto ao Metal.

Smooth Comforts False: Primeiras Impressões

O Ep "Secret" e o álbum "Metaphortime" colocaram a bitola de expectativas para o segundo álbum dos Thee Orakle muito alta...

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18 de junho de 2011

UHDN: Pacto musical

Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism (UHDN) é um projecto a solo do multi-instrumentalista madeirense Élvio Rodrigues conhecido pelo percurso em Through Darkness.

Élvio lançou este ano um álbum de estreia auto-produzido intitulado por "Pact With Solitude". Para conhecer melhor este projecto e trabalho deixamos cá para audição uma conversa tida com Élvio e uma analise ao álbum:


Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism - Pact With Solitude


Edição de Autor / 2011

Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism foi criado pelo madeirense Élvio Rodrigues com o intuito de explorar as suas ideias por sua conta e risco uma vez que enquanto banda a sua experiência em Through Darkness se revelou infrutífera, não do ponto de vista musical mas na captação de elementos (talvez pela insularidade) para que permitissem o desenvolvimento do projecto.

"Pact With Solitude" resulta do acumular de ideias que vêm desde 2004. Talvez por isso, este é um registo com uma vertente muito pessoal e até introspectiva. Do ponto de vista musical extremamente é abrangente em termos de sonoridades e texturas desde as mais melódicas, com ambientes sonoros calmos, intimistas e cativantes, às mais extremas com violentas de Death e até Black Metal, passando por momentos musicais de linha progressiva. Aliás, um denominador comum em toda a obra é o dedilhar constante da guitarra de Élvio que sem entrar em grandes preciosismos técnicos consegue criar riffs penetrantes e contagiantes.

Utopian.Hope.Dystopian.Nihilism consegue pois uma estreia que promete pela ambivalência musical e tem muito a ganhar se conseguir granjear maior consistência em termos de composição especialmente no equilibro entre as diversas vertentes. Outro factor relevante, a produção "caseira" acaba por ser um pouco "castradora" em relação ao real potencial que esta obra tem. Pela riqueza musical este é um registo que ganharia bastante com uma produção mais cuidada.

Outro factor a rever é a agregação de vários temas como um só. Ao contrário que o tracklist indica este não é um registo de quatro faixas. Élvio decidiu juntar vários temas em apenas quatro tendo em conta a sua ligação conceptual. Esta é pois uma decisão que se aceita mas no entanto os temas ganhariam maior relevância se fossem separados resultando assim temas mais curtos e concisos em vez de temas demasiado longos.

Sons e informação adicional em: Myspace / Facebook

8 de junho de 2011

State of Warfare: Entrevista Warfare Radio

Continua a contagem decrescente para o inicio do State of Warfare, com lugar no Birras Bar no dia 11 de Junho. O evento é uma organização da Warfare Rádio, uma web radio com inicio de actividades em Janeiro de 2010 e que se dedica à divulgação das sonoridades underground.

Neste âmbito entramos em contacto com dois dos administradores da rádio para tomar pulso à actividade da rádio e antever o evento.

State of Warfare: Entrevista a Revage

Revage é um projecto musical intrinsecamente ligado ao seu mentor, tanto que a alcunha deste se confunde com o próprio nome da banda. Referimo-nos a Lino "Revage" Mateus, fundador da banda que se apresenta no Birras Bar em Covilhã no dia 11 próximo no âmbito do evento State of Warfare.

Crónicas do Som Eterno teve uma amena e muito rentável cavaqueira com o músico. Conversa que deixamos aqui para escuta:

State of Warfare: Entrevista a Sacrilegion

Continuamos a entrevistar as bandas que vão integrar o State of Warfare. Desta feita foi os Sacrilegion que nos prestaram algumas declarações:

Como surgiram os Sacrilegion e qual tem sido o percurso da banda até à data?

Os Sacrilegion surgiram do interesse dum grupo de amigos por um determinado estilo musical, nomeadamente o metal em algumas das suas variantes. Como frequentadores do meio underground metaleiro à bastantes anos atràs, a banda começou a ganhar os primeiros contornos através do interesse mútuo inicial de alguns membros em fazer parte activa desse mesmo underground e poder mostrar as nossas potencialidades a um público seguidor desta onda.

O último e único registo da banda (promo de 2005) tem já alguns anos. Pode-se contar com novo material para breve?

É verdade que o último registo da banda já tem vários anos, mas a banda tem estado activa desde então até agora. Temos tocado em vários pontos do país e organizado também alguns eventos. A nível do conteúdo musical também fomos alargando o número de músicas disponíveis e como é óbvio o nosso som tem evoluído também. Quanto a um novo registo, podemos adiantar que vai sair num formato EP e que já temos as musicas escolhidas para gravar. Neste momento é tudo uma questão de agenda e daí contaremos lançar esse novo registo em breve.

Vocês vão actuar no próximo dia 11 no State of Warfare em Covilhã. O que esperam deste evento?

Até agora as primeiras impressões quer a nivel da organização, quer da promoção, têm-nos agradado bastante. Sendo a primeira vez que tocaremos nesse local, podemos adiantar que apresentaremos um setlist transversal(desde o mais antigo até ao recente) para o público dessa zona que nunca nos viu em palco. Estamos em crer que vai ser uma noite fantástica e que teremos o prazer de voltar a partilhar o palco com alguns dos músicos doutras bandas com quem nos cruzámos antes.

Querem deixar umas ultimas palavras para os nossos leitores e pessoal que segue a banda.

Queriamos só agradecer a todos os que nos têm apoiado ao longo destes anos, também às pessoas responsáveis por este evento por nos terem convidado e por último um forte abraço a todos aqueles que como nós vivem a música através da alma.

7 de junho de 2011

State of Warfare: Entrevista a Underneath

Os Undeneath foram a banda escolhida para encabeçar o State of Warfare que decorre no próximo dia 11 no Birras Bar em Covilhã.

Pelo facto recolhemos do baterista da banda, Ricardo Neto, algumas declarações. Não só sobre o evento mas também sobre a actividade recente da banda. Eis as suas palavras:

A banda parece estar a passar por uma fase mais calma no que toca à sua actividade. Além disso têm procurado ultrapassar a falta de um baixista. Como têm sido os tempos recentes de Underneath?

Esta fase mais calma deve-se exactamente a esse factor, a falta de baixista! Isto em relação a tocar em concerto porque continuamos bastante activos na composição de novas músicas. E é isso que temos feito, basicamente.

Tirando o DVD comemorativo dos 7 anos da banda, o ultimo registo de temas originais data de 2005. No entanto já se perspectiva a algum tempo um álbum. Como está essa situação?

Fizemos umas gravações à algum tempo com esse intuito. Apesar de não terem corrido como esperávamos, quisemos avançar com esse projecto. Entretanto começou uma fase de muitos concertos e, não estando esse registo completo para apresentação ao público resolvemos adiar por uns tempos. Para nosso azar ficamos sem baixista nesse período. Estamos agora a tentar pegar no trabalho gravado da melhor maneira para o apresentar o mais breve possível.

A banda vai actuar no próximo dia 11 de Junho em Covilhã no State of Warfare. Como antevêem este evento?

Vamos um bocado na expectativa, a ver como corre tocar sem baixo. Não por necessidade mas mais por curiosidade. Também já conhecemos bem o sítio e as pessoas tal como nos conhecem a nós, por isso iremos receber o feedback dos nossos amigos e seguidores dos Underneath o que nos vai ajudar imenso e dar-nos muita força.

A chegada, em Outubro, aos dez anos de existência traduz-se nalgum significado específico para os elementos da banda?

Não tem nenhum significado especial serem 9, 10 ou 11 anos...é a mesma coisa.

Mas para festejar todos estes anos de existência, de muitos bons momentos, gostávamos, de facto, de ter a trabalhar connosco um novo baixista para reforçar e nos ajudar nesta nova era, de grandes temas, de novas e únicas composições em que nos estamos a debruçar neste momento!

Ultimas palavras para os nossos leitores

Espero que continuemos a agradar a todos com a nossa música e boa disposição e desejamos continuar a tocar até não podermos dos braços e das pernas contando com todo o apoio possível!

Um muito obrigado

Ligações: Facebook / Myspace

Johari's Code: Persistência e Coragem


São jovens,estão juntos fundamentalmente pela paixão á música,e encaram o futuro com humildade e com os pés bem assentes nos chão.

Poderia-mos estar a falar de inúmeras bandas que tentam dar os primeiros passos no mundo da música por este País fora, mas então o que os torna diferentes? Vão estrear a banda ao vivo, dia 11 de Junho no Underground Music Fest 8, junto a bandas que ja se mostram como grandes valores das sonoridades mais pesadas do meio Nacional, casos de My Cubic Emotion e Tales for the Unspoken, por exemplo.

As Crónicas do Som Eterno sentaram-se com o Kevin e o Eduardo para falar-mos um pouco do passado, presente e futuro dos Johari's Code.

Os Johari's Code são:

Voz: Diogo
Guitarra: Kevin
Baixo: Freitas
Bateria: Eduardo

Entrevista aos Johari's Code by dissection

23 de maio de 2011

State of Warfare: Entrevista a Cerebral Pain


Cerebral Pain é um projecto encetado por Tiago Marques cuja sonoridade tem como base o Folk mas que busca influências tão dispares como o Rock, o Metal, música neoclássica e especialmente música de raiz tradicional portuguesa.

Este projecto marca presença no State of Warfare, o primeiro festival da Warfare Rádio com lugar no dia 11 de Junho e que Crónicas do Som Eterno se encontra a promover.

Conheça melhor este projecto pelas palavras do seu mentor. 


Como surgiu o projecto Cerebral Pain? Queres descrever sucintamente como tem sido o percurso do teu projecto?

Em primeiro lugar, quero saudar os leitores do Crónicas do Som Eterno. O meu nome é Tiago Marques, sou multi-instrumentalista e o actual mentor deste projecto.

Em Dezembro de 2007, apostei comigo próprio de que seria capaz de gravar um som no estilo Dark Ambient com o acordeão. Tentei, e na altura achei piada ao resultado, e gravei uma maquete com o nome "Black Harmony". É claro que, dada a evolução que tive durante estes 3 anos, o resultado inicial estava ridiculamente longe de se poder sequer considerar música, até porque as condições de gravação eram mínimas. No entanto, essas experiências foram necessárias para ganhar conhecimentos. 2008 foi um ano marcado pela progressão no acordeão, com muitos trabalhos lançados e, no entanto, muito pouca consistência musical - na verdade, já nem sequer tenho os resquícios de músicas desse longínquo tempo no meu computador, mas muita gente os tem, fruto da vontade de partilhar!

No início de 2009, decidi pegar noutros instrumentos, entre eles uma flauta doce e uma guitarra clássica, ambos os instrumentos já em muito mau estado de conservação, que ainda hoje utilizo. A incorporação de várias pistas na mesma música obrigou-me a imaginar a composição como um processo mais complexo, assim como começar a gravar a tempo, a corrigir certas falhas, e, basicamente, a conhecer de mais perto o mundo da edição e produção do som. Houve 3 registos discográficos nesse ano, com uma evolução gradual. Algumas das minhas melhores composições surgiram nesse ano.

Entrou 2010, e com ele entraram vários instrumentos novos: a guitarra eléctrica, o teclado e outras programações, e o bandolim.

2010 foi o ano da afirmação, primeiro com o "Espíritos", um álbum muito cru e gélido, muito próximo do conceito que imaginei para Cerebral Pain, e depois com "A Viagem", um álbum variado, com uma aproximação particularmente ecléctica, misturando electrónica, metal, folclore e momentos de jazz.

2011 foi o ano do microfone! Até "A Viagem", tudo tinha sido gravado com um vulgar microfone interno do computador. Desde então, decidi que não iria compor mais nenhuma música para este projecto, e concentrar-me apenas em tirar o máximo das minhas músicas até à data. Lancei uma amostra de uma regravação com o EP "Vida", ainda sem o microfone novo, em Fevereiro deste ano, e estou a trabalhar activamente numa compilação das melhores músicas, que será o epílogo desta jornada. Preparem os vossos ouvidos, não imaginam o que vos espera!

Iniciaste o projecto em 2008. Contudo já conta com um número de registos acima do que é habitual. Como explicas esta forte afluência de registos?

Não posso dizer que seja algo positivo. Evolui tão depressa que a única coisa que me apetecia depois de um lançamento era compor, compor, compor... Chegava a ter 20 a 30 composições depois de um lançamento. Este excesso de criatividade fez com que não me conseguisse focalizar no produto final, e, em consequência, distribui todos os meus trabalhos para download gratuito através da plataforma Jamendo. São, de facto, muitos lançamentos, mas apenas 3 deles têm qualidade para aparecer numa compilação com o melhor de Cerebral Pain. E uma coisa me apercebi: mais vale primar pela qualidade do que pela quantidade.

Foi extremamente complicado para mim definir quando é que se devia continuar a trabalhar em novas músicas, ou parar para melhorar o que já havia. Evoluí tanto que ainda hoje me espanto como é possível ter aprendido tanto em tão curto espaço de tempo, e ainda para mais sozinho. Coisas da vida!

Embora o denominador comum da música de Cerebral Pain seja o Folk, são notórias outras influências e diferentes abordagens. De que influências “bebes” tu? Como descreves o som de Cerebral Pain?

A minha maior influência é, indubitavelmente, a música portuguesa e as raízes culturais que me identificam como cidadão orgulhoso deste país. Posso citar artistas que marcaram a minha infância: Madredeus, Isabel Silvestre, Vitorino, Zeca Afonso, entre outros, mas o que me marcou mais foi a música de Carlos Paredes. Influenciou a minha visão de compor música de forma muito profunda.

Mais recentemente, ouvi trabalhos muito bem conseguidos de bandas como Dazkarieh, Uxu Kalhus, ou ainda Xícara, que impressionam na forma como misturam música tradicional portuguesa com outros mundos.

Bebo alguma coisa de música clássica, nomeadamente Bach, Paganini e Wagner.

No mundo do metal, menção para Burzum. Despertou-me para a abordagem minimalista do multi-instrumentalismo, e foi isso que me fez aprender a guitarra.

Já na electrónica, sou um enormíssimo fã de The Future Sound Of London. Influenciaram a minha juventude e continuam a despertar a minha curiosidade pelo lado menos orgânico da música.

Esta abrangência que se encontra na tua música pode-se também explicar pela diversidade de instrumentos que tu tocas. Quais são esses instrumentos?

Os instrumentos são, por ordem cronológica de inserção: Acordeão, Flauta, Guitarra Clássica, Guitarra Eléctrica, Bandolim, Cavaquinho.

Apesar de este ser um projecto teu contas com colaborações para as tuas actuações ao vivo. Quem são essas colaborações?

Após um convite que me fora efectuado pela Berkana, para actuar no passado dia 7 de Maio em Aveiro, decidi contactar inicialmente duas pessoas muito próximas, o Pedro (teclista) e o Marco (baterista), que aceitaram de imediato. Posteriormente, contactei o Vítor (guitarrista) quase como a última oportunidade de ter um guitarrista a tempo de actuar, e a resposta foi positiva!

O Pedro tem no currículo uma passagem pelos Painted Black (Doom metal), trazendo uma clara influência experimental ao conjunto, e o Vítor tem um projecto intitulado Catarse (Post-Rock), trazendo o Rock para a mistura. O Marco não tem experiência neste aspecto, mas é um músico fenomenal, que rapidamente se desenvolveu como baterista.

O incrível nesta história, é que foram precisos 3 anos e meio para finalmente encontrar músicos que partilhem o mesmo gosto e entusiasmo pelo experimentalismo e pelas raízes tradicionais, num momento em que inclusive tinha decidido mudar o nome a este projecto.

No que toca aos eventos. Segue-se no dia 11 do próximo mês o State of Warfare, festival de Warfare Radio, onde participas. Que perspectivas tens para este evento?

Vai ser bom tocar numa casa onde fui sempre espectador. Estamos ansiosos por poder observar o público do lado oposto!

Apesar de tocarmos com 3 bandas de Black Metal, e como membro da organização, entendemos que Cerebral Pain encaixa bem na temática do festival, trazendo uma visão diferente do que pode ser a música, a pessoas com ouvidos pré-formatados. Não sabemos qual vai ser a recepção ao nosso som, mas uma coisa é certa: a festa será garantida!

Em relação ao teu futuro e de Cerebral Pain o que perspectivas?

O meu futuro passará por exercer a profissão de economista! Agora a falar a sério, tomei a decisão, juntamente com os restantes membros, de que Cerebral Pain deixaria de existir após a actuação no State of Warfare de dia 11 de Junho. Todos os nomes de bandas têm um significado que pode desaparecer, ou com as mudanças de membros, ou com a evolução, ou simplesmente porque o nome escolhido inicialmente era infantil, ou porque nada tem a ver com o estilo de música. No fundo, é uma conjugação destas razões, às quais se acrescenta a vontade de compor, ensaiar, e trabalhar como um grupo de várias personalidades, cada uma trazendo as suas ideias e influências!


Ultimas palavras para os nossos leitores?

Muito obrigado pela paciência, ler estes 3 anos e tal do meu dia-a-dia condensados é obra! Não hesitem em contactar-nos (ou ouvir-nos), através dos seguintes meios:


www.myspace.com/cerebralpain

http://www.facebook.com/pages/Cerebral-Pain/110863868939168?ref=ts

Email: cerebral_pain@hotmail.com

Ainda não sabemos qual será o nome do futuro projecto, mas posso adiantar que tocará as composições actuais de Cerebral Pain - isto, claro está, até surgirem músicas novas!

Band email

23 de abril de 2011

Vertigo Steps: A persistência da qualidade


São autores de um dos melhores registos de rock pesado do ano passado no território nacional. "The Melancholy Hour" transmite toda a qualidade de uma banda com motivos para reclamar por um salto na sua carreira.

Crónicas do Som Eterno procurou tomar o pulso de como tem sido assimilada por parte dos Vertigo Steps (VS) a recepção de que o álbum tem sido alvo e procurou saber algumas novidades sobre o novo trabalho que a banda se encontra a preparar.

As palavras que se seguem são do guitarrista e mentor da banda, Bruno A.

Depois do óptimo trabalho de estreia, “The Melancholy Hour” (TMH) surgiu como um segredo bem guardado e causar ainda maior surpresa. Acima de tudo, pelo “salto” qualitativo em termos de maturidade criativa. Quais as grandes diferenças entre os dois registos?

Saudações às CSE. Com efeito, houve um evolução natural e positiva. O álbum de estreia foi intencionalmente bastante variado, com temas de diversos períodos e até algum improviso ao nível da gravação; no TMH tudo foi mais pensado e programado, com mais tempo nas mãos, maior à vontade e cumplicidade entre mim e o vocalista e maior certeza ainda do caminho a traçar. Isso acabou por traduzir-se num trabalho mais complexo e progressivo, mas ao mesmo tempo bastante mais coeso, sólido e até catchy.

Houve também um excelente trabalho do Daniel Cardoso a nível da produção, e também na secção rítmica, com o selo de qualidade que se lhe reconhece. Até o ambiente em estúdio foi melhor e mais descontraído, o que está espelhado de forma feliz nos studio-episodes e no videoclip de “INhale”. Tudo isto marca a diferença, natural e desejável diria eu, entre os dois lançamentos.

Sabemos que o disco teve excelente recepção por parte de quem o ouviu. Quais foram as reacções ao álbum que gostariam de destacar?

Sim, regra geral os adeptos da banda gostaram imenso e angariámos novos seguidores. Figurou em muitas listas pessoais de melhores do ano. A nível dos media, obtivemos excelentes críticas um pouco por todo o lado e mesmo uma ou outra menos entusiasmada fez sempre questão de realçar a qualidade do álbum, indicando que se tratou apenas de gosto pessoal ou por esperar algo “mais metal”. Felizmente, já deve ter dado para perceber por esta altura que somos uma banda diferente e que não estamos minimamente preocupados em fazer algo mais ou menos metal, mais sushi ou mais courato, mas sim evoluir no nosso som, que tanto mantém traços de metal como de rock alternativo, progressivo, post-rock, ambiental, etc. Queremos continuar a escrever grandes temas que fiquem para a posterioridade, sem qualquer barreira estilística. Preferia não elencar reacções mediáticas em particular, mas se forem ao nosso MySpace tem uma boa representação geral do que foi dito; mas além das entrevistas e rádio broadcasts, posso talvez referir as críticas na Loud!, Metal Rules, Sea of Tranquillity, Metal Storm ou Desibeli. Ou um destaque especial e consequente entrevista de 16 páginas na End Of The Road. E, claro, sem olvidar a vossa, com uma tagline para a posterioridade: Isto é Vertigo Steps e chega!

Apesar do disco ser bem aceite por quem o ouviu, e de ser (quase) unânime a opinião sobre a sua qualidade superior o certo é que os Vertigo Steps ainda são algo ignorados. Que tipo de reacção ou sensações te causa?

Bem, ignorados será provavelmente uma expressão demasiado forte, mas concordo que poderia existir uma maior exposição e os novos ouvintes ficam amiúde espantados por não terem ouvido falar previamente de VS. Por um lado, para uma banda ainda não-assinada e que não dá concertos conseguir a projecção mediática que tivemos desde a estreia não é um mau sinal. Por outro, sinto que é mais árduo chegar aos ouvidos de um maior número de pessoas, infelizmente não pela qualidade do som mas por se perder no meio do chorrilho de lançamentos e da maior exposição mediática de bandas assinadas, muitas dessas como é sabido de interesse musical relativo ou formulaico.

De qualquer forma, nunca será isso a fazer-nos cessar, há um impulso para criar música especial e estou certo que mesmo com o estado das coisas no meio musical, eventualmente conseguiremos chegar mais longe e ver os nossos álbuns devidamente editados e distribuídos para alem do formato digital.

Posso adiantar-te que houve até diversos label-managers que teceram rasgados elogios ao trabalho, não tendo no entanto actualmente meios para apostar nele.

Noutro pais um projecto com os elementos (residentes ou colaborações) que integram os Vertigo Steps teria maior projecção? Não existe alguma ignorância sobre quem participa no projecto Vertigo Steps? Já agora, quem são essas participações?
Bruno

Pessoalmente, considero sempre as participações através da mais-valia musical e não dos nomes. Já tivemos a possibilidade de ter músicos mais conhecidos a participar e não nego que os venhamos a ter futuramente, mas o nosso output musical tem um cunho muito personalizado e portanto essas participações terão sempre de se adequar ao tema em questão e acrescentar-lhe valor pelo que de novo trazem - e não o inverso. Já tivemos participações vocais do Stein R Sordal e do Jules Näveri, que são nomes naturalmente bem maiores nos seus países de origem do que por cá, pelo menos para quem ande menos atento. Intérpretes de enorme talento, assim como a Sophie ou até o Rui Viegas e o André Vasconcelos (de Arcane Wisdom), o próprio Daniel participa com vocalizações esporádicas. O Niko é o nosso vocalista e portanto um “residente” e era conhecido sobretudo na Finlândia pelo seu óptimo trabalho em Misery Inc., mas é em VS que está a revelar a total abrangência e potencialidade como vocalista.

Se existe ou não essa ignorância que referes não te posso precisar, penso que depende da curiosidade de cada um em aprofundar; eu quando gosto de um projecto que conta com diversas participações de qualidade interesso-me em saber quem estas são, mas admito perfeitamente que muita gente não tem este ímpeto e prefere simplesmente ouvir música de forma mais simples e passiva, sem informações adicionais. Naturalmente que a periferia geográfica e pequena dimensão do mercado nunca são grande ajuda para as bandas nacionais.

Ao público pode causar algum espanto o facto de Vertigo Steps ser composto por elementos e contar com colaborações de vários pontos do mapa, alguns com bastantes quilómetros de distância. Parece que a net é uma grande ajuda para ultrapassar esta barreira? Como funcionam regra geral os Vertigo Steps, especialmente no processo criativo?

Há que inovar não apenas musicalmente mas também a nível de processos! Como sabes, coloco sempre a música em primeiro lugar e portanto com VS não me preocupei em arranjar apenas músicos locais e que pudessem tocar ao vivo, isso poderia ser extremamente redutor.

No final, o que permanece é a música e portanto apesar de também gostar de actuar ao vivo, preferi não colocar esse tipo de barreiras quando comecei a procurar o vocalista adequado. Por outro lado, isso também permite abrir um pouco VS à Finlândia, sei que temos lá bastantes apreciadores e alguma atenção mediática. A dinâmica criativa funciona tirando partido da Web e de forma muito simples: eu componho e gravo tudo aqui no meu home-studio e depois envio os temas ao Niko (e aos outros convidados, naturalmente) e ele vai criando as linhas vocais, reenviando, etc. Vamos trocando ideias até chegar à melhor forma possível, a nível de pré-produção, e por vezes também gravo vozes para lhe mostrar novas abordagens e perspectivas.

Através deste intercâmbio vai-se construindo o esqueleto do álbum e depois em estúdio torna-se mais simples, até pelo facto de já levar todas as programações finais, a nível de teclas, atmosferas, loops & samples. É claro que o Niko tem sempre de deslocar-se da Finlândia, mas é por uma boa causa e sempre apanha umas temperaturas positivas para variar.

A música de VS transpira melancolia e nostalgia. De onde vem todo este feeling? Pelo que soube não és propriamente adepto de sonoridades tipicamente melancólicas….

Por acaso, acho que um dos traços comuns a praticamente toda a música que ouço – e que viaja entre estilos extremamente diferentes e variados, embora sempre de forma bastante selectiva – é precisamente uma certa toada melancólica, nostálgica, ambiental. Penso que te referirás ao facto de não apreciar música mais “lamechas” e de facto quando se utiliza o termo melancólico haverá sempre quem associe logo a doom, gótico ou emo de toda mais romântica e whiny...

O que valorizo é a capacidade adulta e genuína de através da junção de diversas texturas, se conseguir atingir no ouvinte um determinado estado de alma, profundo e intenso e que o faça reflectir e viajar. É por isso que não aprecio minimamente música mais happy ou supérflua; considero que deve existir todo um diálogo com o ouvinte que o obrigue a entrar em estados de alma que não serão necessariamente positivos para o próprio, mas que apresentam um desafio e um reencontro de cariz introspectivo. Essa melancolia e nostalgia tanto encontro em bandas sonoras e música ambiental, como som étnico e darkwave, música clássica, até alguma música electrónica... assim como post-rock, gótico/new wave e naturalmente muito Metal, preferencialmente melódico, progressivo, experimental, mas também groove e com atitude!

Tanto esta miríade de influências musicais, como a minha visão muito própria do mundo e toda a literatura e cinema que avidamente consumo, são certamente espelhadas no som evocado, por isso VS dificilmente soaria de outra forma


Ainda “The Melancholy Hour” está meio fresco e vocês já preparam um sucessor que parece que terá como titulo “Surface/Light”. Queres levantar um pouco o véu sobre o novo trabalho?

É verdade! Bom, o TMH acabou de ser composto já há cerca de um ano e após 6 meses de “desmame” e praticamente sem criar, e entrada do Outono passado coincidiu com um surto criativo bastante inesperado mas que basicamente nos deixou com um novo álbum nas mãos! E ainda por cima, com o melhor álbum da carreira ainda curta de VS: disto não temos quaisquer dúvidas. Uma opinião aliás partilhada pelas pessoas envolvidas na banda, assim como as que já puderam ouvir algum do material novo. Acabei por me focar em 13 temas novos e temos estado lenta mas gradualmente – devido à disponibilidade de tempo do nosso vocalista nunca ser a melhor – a criar linhas vocais e letras. Ao mesmo tempo, os convidados estão também a conferir o seu toque de excelência (serão divulgados a tempo oportuno).

A nível instrumental estaria até já pronto para entrar em estúdio, mas agora importa completar as linhas vocais e lapidar mais alguns detalhes para concluir a pré-produção que tenho no home-studio. Ainda não temos datas para a gravação, embora esteja em contacto frequente com o Daniel e os USS para tentar compatibilizar as coisas da melhor forma, mas estamos a apontar para finais de 2011.

Acima de tudo, estou ansioso para ter o “Surface/ Light” pronto e poder partilhar as novas criações com todos os apreciadores da banda, pois tem sido complicado estar tão realizado, tão seduzido com o material novo mas não poder ainda revelar muito do que aí virá. Também iremos começar muito em breve a trabalhar no artwork, que promete desde logo marcar alguma diferença para os trabalhos anteriores. Será um álbum a todos os títulos muito especial e mesmo a nível de pré-produção, os temas já transpiram uma magia incrível, com temas curtos de um apelo catchy fortíssimo e melodias viciantes mas também uma toada atmosférica, cinemática e post-rock cada vez mais acentuada.

Mantenham-se atentos à nossa página de Facebook! E um forte obrigado pela entrevista e todo o apoio dispensado pelas CSE.

Ligações: Facebook / Myspace

13 de abril de 2011

Moonshade

São um dos muitos nomes emergentes do meio nacional mais recentes.

Tratam-se de Moonshade que praticam um um Death Metal melódico e bom recorte técnico.

A banda tem um Demo/Ep auto-produzido que demonstra boas ideias e um som consistente.

Crónicas do Som Eterno trocou algumas impressões com o baterista da banda, Cris:

Quem são e como nasceram os Moonshade?

Moonshade nasceram das cinzas de Deep Cut e da vontade dos membros que restaram ( eu, Pedro e Gero) em fazer algo mais próximo da sonoridade que gostavamos mais. Nomeadamente MeloDeath e com influências principalmente de Insomnium , Swallow the Sun, Noumena, Be'Lakor, Amon Amarth e outras mas sendo Insomnium a principal banda que nos influenciou e fez gostar deste genero.

Para isso tivemos a sorte de arranjar um guitarrista que encaixou muito bem neste tipo de sonoridade que foi o Dinis e depois encontramos a voz que andava-mos a procura desde até os tempos de Deep Cut, o Ricardo que faz na minha opinião um gutural puro e de grande qualidade.

Vocês contam com um Ep que colocaram para escuta no myspace. Que reações têm tido?

O EP ou maquete é um working process que ainda não está terminado e não sabemos se vamos incluir mais 4 ou 5 temas que irão ser gravados brevemente. Estes temas que já estão gravados e online têm tido excelentes reações e normalmente quem ouviu gostou o que é sempre bom. Todos os 4 temas foram inteiramente produzidos pela banda em casa do Pedro que têm lá um mini pseudo-estúdio.
A principal motivação a curto prazo para a gravação destes e mais temas é mais para promoção e para termos algo para mostrar a quem não nos conhece.

Têm algum prazo previsto ou definido para a finalização dos restantes temas e respectiva edição?

Prazo previsto não temos e visto sermos nós que o vamos produzir não temos muita pressa e vamos optar por refinar mais a qualidade de captação e gravação. Vamos tentar ir um bocado mais longe a nível da composição e estruturação dos temas de modo a termos um produto final melhor e com mais maturidade. A edição poderá acontecer mas provavelmente será uma edição de Autor para promoção em concertos.

Por falar em concertos. A banda tem tido alguns concertos ou estão aguardar pela finalização do disco?

Nós neste momento ainda somos "virgens" e nunca demos nenhum concerto , tivemos já alguns convites que infelizmente tivemos que declinar, e aproveito aqui para agradecer os mesmos e lamentar o facto de não os termos podido aceitar. Neste momento a prioridade passa pela gravação de mais temas e talvez possamos dependendo da nossa disponibilidade marcar presença num ou outro concerto ou festival.
Mas será algo com vista a dar uma maior exposição da nossa sonoridade e até para ganhar alguma ritmo e coesão em palco.

Queres deixar algumas considerações finais para as pessoas que vos têm acompanhado e para os nossos leitores?

Primeiramente agradecer ao Blog Crónicas do Som Eterno por esta oportunidade e desejar a maior sorte e força nesta vossa árdua tarefa em divulgar o Metal em Portugal e principalmente as bandas nacionais, e claro gostavamos que fossem ouvir os nossos temas e que nos dessem depois um feed-back dos mesmos. A todos os que nos apoiaram e nos deram força, o nosso MUITO OBRIGADO!

Encontra mais artistas como Moonshade em Música do Myspace

29 de março de 2011

Urban Tales: Entrevista a Marcos César



Era um dos discos mais aguardados do ano dentro da música de peso nacional. E o facto é que “Loneliness Still Is The Friend” não defraudou as expectativas.

Os Urban Tales demonstraram que nada do que fizeram de positivo foi fruto do acaso mas sim de um trabalho continuo com o selo de qualidade. O novo álbum representa também a capacidade de auto-superação da banda.

Para melhor conhecer as histórias por detrás de “Loneliness Still Is The Friend” contactamos os vocalista e mentor da banda, Marcos César. Eis as suas palavras:


Atendendo que “Diary of a No” tinha deixado um excelente impressão quer a nível de público e critica especializada era com alguma expectativa que se aguardava por “Loneliness Still Is The Friend”. As primeiras impressões sugerem que o disco superou as expectativas em geral. A banda estava à espera desta reacção? Muitas opiniões convergem no sentido de que o segundo álbum é tido como fulcral na evolução da carreira de qualquer banda. Uma espécie de “teste do algodão”. Comungam desta ideia?

Muito sinceramente o pessoal da banda estava super confiante com este álbum. As músicas, davam-nos um sentido de ter alcançado algo muito bom e por esse motivo estava confiantes nas reacções que o trabalho viria a ter.

Sinceramente não pensámos muito no facto deste ser um trabalho importante depois da estreia ter conseguido tão bons resultados. Isso não nos passou pela cabeça. Apenas tentámos fazer o melhor que podíamos…Mas concordo contigo quando dizes que o segundo trabalho poderá ser o sinónimo da qualidade constante de uma banda.

Alguns meses antes da edição do álbum foi com alguma surpresa que surgiu a notícia que deixaram de integrar a Burning Star Records (actual Metal Fighters) pela qual tinham editado o álbum de estreia e tinham contrato. Na realidade o que se passou?

A versão que sei, foi de que o Presidente e com quem mantinha contacto teve um problema gravíssimo de saúde o que o fez fechar a editora. Entretanto passados uns bons meses disseram-nos que a editora através de outra pessoa que lá trabalhava (Kostas), iria reabrir mas como subsidiária de outra editora… Esperámos durante uns meses até que foi-nos dito que essa ideia não iria para a frente…E é a única coisa que eu sei. Nem fazia ideia da Metal Fighters…

A saída da Burning Star foi o único contratempo para a edição do novo disco ou houve outros factores?

Foi na medida em que haveria um orçamento para o álbum, promoção a nível internacional (pouco ou muita haveria alguma) e uma distribuição em muitos países.

Foi realmente um contratempo, até porque ficámos muito tempo sem saber o que fazer ou para onde ir…

“Loneliness Still Is The Friend” é um título interessante, como surgiu? A solidão pareceu sempre ser um filão interminável para a cultura, seja música ou outra arte. Como músicos qual a vossa posição?

Pessoalmente, o título representa vários estados de espírito em que em todas está presente a solidão. Positivamente ou negativamente ela esteve lá e daí eu ter escrito estas letras… Sei que muita gente “entra num estado de espírito” parecido para criar, contudo sei de outras pessoas como os elementos dos Anathema que dizem hoje em dia, inspirarem-se em situações positivas e de boa energia, por isso acho que varia de pessoa para pessoa. Não há uma lei que comprove uma regra para se criar seja o que for…Penso eu…

Aproveito desde já para vos dar os parabéns pela capa do álbum, pareceu-me uma bela escolha. Como surgiu esta colaboração com o Augusto Silva?

Já veio do “Diary of a No”, outro grande trabalho do Guto. Desta forma decidi continuar a trabalhar com ele, visto que ele entende onde quero chegar e qual a ideia das musicas dos Urban Tales.

Também acho que o artwork ficou maravilhoso e isso só se deve mesmo ao Guto… Ele é fantástico nesse aspecto.

Contam com dois vídeos alusivos ao álbum. O já conhecido e muito bem conseguido “Stand Alone” e “Silent Cries”. O que retratam estes vídeos? Quem trabalhou com vocês nos vídeos? Presumo que estejam contentes com o resultado final, ou ambicionavam algo mais? Nomeadamente em relação a “Silent Cries” que segundo soube, houve um orçamento mais restrito.

Sinceramente, nem houve orçamento para qualquer dos vídeos. A verdade é que estamos rodeados de gente que gosta da nossa musica e que sente que trabalhar com a nossa música é bom também para eles, “de certa forma”. Assim, é que se chegou a fazer os vídeos, sem que orçamentos fossem discutidos. Não tendo sequer uma editora a financiar os vídeos, seria impossível falar de orçamentos.

A ideia dos vídeos passa por demonstrar o que o álbum retrata – Solidão… Tristeza; Desilusão, etc… Neste contexto, e de uma forma simbólica tentámos com que os vídeos demonstrassem isso, cada um à sua maneira e dentro da sua história.

Do ponto de vista lírico, continuam a abranger uma temática urbana. Especificamente que histórias contam nas músicas de “Loneliness Still Is The Friend”?

Contam histórias urbanas, do dia a dia… Histórias com as quais qualquer um de nós pode passar e identificar-se nas músicas. Essa temática não mudou de um álbum para o outro e sinceramente não me parece que vá mudar nunca. A ideia dos Urban Tales é mesmo falar do dia-a-dia e de tudo o que Viver acarreta…

Se em território nacional surgiu o acordo com a Compact Records que já tinha trabalhado com vocês no “Diary of a No” como está a decorrer o processo da edição internacional de “Loneliness Still Is The Friend”?

Está num entra e sai… Quando tudo parece certo para termos o álbum lá fora, há sempre um detalhe que não está como devia. Eu sinceramente penso que futuramente vai acontecer… A ver…

A banda tem conseguido granjear criticas bastantes positivas e já obtêm uma considerável legião de seguidores que chega a ser quase obrigatório questionar a escassez de concertos vossos mesmo sabendo que é vosso lema preferir qualidade do que quantidade. Escassez de propostas ou critério vosso? Ainda assim, perspectivam alguns concertos próximos no que toca à promoção do álbum?

Somos do lema de que – O que aparecer e for do agrado da banda…Aceitaremos. Mas acho que isso todas as bandas fazem… Tivemos há pouco tempo (Fevereiro), uma proposta para tocar na Aula Magna, que aceitámos prontamente, mas que por algum azar da organização, acabou por não acontecer. Vamos esperar para ver o que mais aparece. Para já a promoção do álbum, na nossa opinião, é super importante, e prende-se em expor a notícia de que o álbum está cá fora e visto que não temos uma editora para fazer esse trabalho, já temos muito em mãos para fazer…

Ultimas considerações para os nossos leitores e vossos fãs…

Obrigado por todo o apoio, continuem a apoiar as bandas portuguesas (cada vez mais e melhores) e …Se possível…Compre o nosso álbum…

Ligações:  Sitio oficial / Myspace / Facebook / Twitter

2 de fevereiro de 2011

Tarantula: A idade dourada


São autores de um dos melhores trabalhos de 2010 um dos grandes nomes (para muitos a maior referência) do metal nacional. O trabalho intitula-se por "Spiral of Fear" e a banda em questão não é menos que os emblemáticos Tarantula.

O vocalista Jorge Marques cedeu-nos gentilmente algumas palavras que ajudam a "dissecar" o novo trabalho da banda.


“Spiral of Fear” marca uma série de regressos. O regresso às gravações nos Rec'n'Roll, o regresso à produção de Luís Barros e o regresso a uma edição com selo português. Esta série de coincidências foram pensadas previamente ou resultaram de alguma série de factores? Como surgiram? Ainda em relação à editora. O facto de o Paulo ter editado o seu último trabalho a solo pela Gluetone teve alguma influência na vossa opção?

Sim, de facto este disco pode ser visto como um regresso às origens, isto é, foi concebido na totalidade em Portugal, se bem que no "Metalmorphosis" tenha sido quase tudo gravado nos Rec'n'Roll com o Luís a controlar todo o processo excepto a bateria e as guitarras ritmo que foram gravadas nos Area 51 Recording Studios na Alemanha.

A verdade é que não foi nada premeditado, aconteceu essencialmente pela coincidência de alguns factores como o fim do contrato com a editora AFM, o surgimento da Gluetone e todo o excelente trabalho desempenhado pela mesma com o último álbum do Paulo Barros.

Uma editora nova, composta por pessoas que já conhecemos há bastante tempo e com quem trabalhamos regularmente, mais importante ainda, uma editora que está mais perto da banda o me parece ser fundamental.

Sabe-se que o disco está disponível nas Fnac e através da loja online da editora. Além destes meios, onde é possível adquirir o “Spiral of Fear”? E além fronteiras como está/vai ser feita a distribuição do disco?

Bem, nesta fase inicial o disco foi entregue nas Fnac.

Creio que brevemente chegará a outros locais de venda, sendo que, entretanto, a distribuição além fronteiras está a ser negociada.

Sabe-se que além da edição actual em CD vai haver uma edição em vinil que contará com um tema extra. Porquê a opção por esse formato? Queres levantar-nos mais um pouco do “véu” sobre essa edição?

A editora tem algumas ideias em mente, esta é apenas uma delas, editar este álbum em vinil com um tema extra ainda por definir.

A razão é simples, sabe-se que há muita gente que se ainda se interessa pelo vinil, o que significa que o culto se mantém, como ainda há muita procura por este formato parece-me lógica esta opção.

Se o vosso disco anterior, “Metalmorphosis” já tinha surpreendido pelo ligeiro “retoque” a nível de sonoridade, “Spiral of Fear” resulta numa confirmação da capacidade de renovação da banda.
Mantendo a identidade melódica própria de Tarantula, o som de “Spiral of Fear” demonstra maior densidade e uma linha rítmica mais agressiva. Existe por parte das bandas a velha máxima de que o disco é fruto da inspiração do momento. É 
aceitável afirmar que houve da vossa parte uma preocupação em apresentar um som renovado e mais pesado?

Desde o início de todo o processo de composição passando pelos arranjos, culminando na produção feita pelo Luís, houve a preocupação de fazer algo mais actual sem esquecer obviamente o que temos feito até agora, aliás, creio que no álbum anterior já havia essa tendência de fazer algo sem um “rótulo musical”
evidente e creio que isso é transversal a todos os elementos da banda, fazer algo de diferente mas sem descaracterizar a nossa identidade.

O facto da sonoridade ser mais densa do que é habitual não é senão um reflexo lógico dessa vontade que continuamos a ter de renovar e nesse sentido, sinceramente, estamos satisfeitos com o resultado.

“Spiral of Fear” apresenta uma temática bem real e contemporânea. O disco começa num tom crítico e termina sob a égide da esperança. Com qual dos estados os elementos dos Tarantula se
identificam mais?


São estados de espírito diferentes e que fazem parte da mesma realidade. Este álbum, não sendo propriamente conceptual, tem como denominador comum o sentimento de insegurança, de medo, mas também de esperança. Desde o alerta inicial em "Dark Age", passando pelos temas "Spiral of Fear"
e "vultures" que estão relacionados com a forma agressiva e descontrolada com que o homem está a tratar o planeta culminando na música "Hope", quase que a simbolizar a calmaria após a tempestade, houve de facto uma preocupação em deixar uma mensagem de esperança, nunca é demais abordar temas que transmitam algo de positivo.

Nestes conturbados dias em que vivemos, o medo não é senão o resultado da incerteza e da forma catastrófica com que o ser humano lida com o seu semelhante e com o planeta.

Por outro lado há também uma alusão à religião, à forma fundamentalista com que cada uma se tenta sobrepor à outra, tendo como resultado o ódio, a divisão a guerra...enfim.

Se por um lado em tempos obscuros e de medo a fé deve unir e congregar as pessoas, ironicamente acaba por ser ela mesma a causa de tanto ódio que as divide.

Em relação ao vídeo alusivo a “Dark Age”. Sabe-se que é uma produção interna. Mas onde decorreu a sua gravação? Contaram com alguma colaboração exterior à banda?

O vídeo foi gravado no coliseu do Porto e contou com a preciosa ajuda de um grupo de pessoas especializadas na área áudio-visual.

Em relação a concertos. Como vai ser feita a promoção ao vivo de “Spiral of Fear”? A banda tem prevista alguma digressão ou estão dependentes dos convites que surjam?

A verdade é que estamos ainda em fase de estudo em relação à apresentação do disco estando também receptivos a eventuais propostas que possam surgir.

Os Tarantula comemoram este ano 30 anos de carreira. Que balanço fazem da mesma? Preparam alguma novidade especial alusiva à data?

Acho que o balanço só pode ser positivo.

Uma banda que andou parte do seu tempo a remar contra a maré, resistindo e sobrevivendo às mais diversas fases, que após todos estes anos continua a fazer música com o mesmo prazer de sempre, a ter a mesma frescura e a mesma atitude, creio que é motivo de grande satisfação, penso que isso é algo que tem um valor imenso para qualquer artista.

Temos já algumas ideias concretas em relação a este ano especial. Assim que for oportuno serão anunciadas no nosso site.

Atendendo ao vosso percurso musical, ora no seio da banda ou individualmente, como se revêem no actual panorama Hard'n'Heavy português? Acreditam que este meio tem estruturas para crescer?

Bem, no que diz respeito à forma como nos revemos no panorama actual é a mesma de sempre. Continuamos a ser uma banda que se preocupa apenas em fazer música, a que mais gostamos de fazer.

Tentamos adaptar-nos renovando ao longo do tempo de forma coerente independentemente das tendências inerentes a cada momento.

Actualmente existem outros meios de divulgação, há um número crescente de bandas e de eventos, sinais evidentes de algum crescimento, o que é de salutar. Este é um meio musical muito específico, é necessário haver continuidade, apoiar as bandas nacionais continua a ser fundamental.

Em relação ao Jorge. Além do teu percurso como músico és reconhecido pelas tuas capacidades como pintor. Como se encontra actualmente a tua carreira nesta área? Pode-se dizer que tens um público tipo? Se sim, como o identificas? Algum desse público vem dos seguidores da tua carreira musical?

Jorge Marques
Em relação às artes plásticas, tenho feito um percurso bastante positivo e gratificante.

De facto, sinto-me um privilegiado, poder partilhar a minha obra e sentir todo este fantástico feedback por parte de um público diversificado e exigente.

Actualmente estou a preparar 2 exposições. A primeira irá realizar-se no dia 26 de Fevereiro, estando patente ao público até 27 de Março e uma outra em princípio em Abril, de qualquer forma anunciarei no meu blog e também no facebook assim que tiver novidades.

É obvio que algumas pessoas já conheciam o meu trabalho, nomeadamente com as capas de alguns álbuns dos Tarantula e não só, assim como muita gente só me via como pintor e desconhecia o meu percurso com os Tarantula.

Tem sido engraçado, com o tempo as pessoas vão descobrindo a minha faceta musical, até porque parte das minhas obras fazem alusão à música e acaba por ser inevitável a aproximação destas duas vertentes.

Últimas palavras para os nossos leitores e vossos fãs....

Desejo um bom ano para todos os leitores das “Crónicas Do Som Eterno” em especial para os nossos fãs.
Espero que este álbum seja do vosso agrado, desejando vê-los nos nossos concertos e que continuem a apoiar as bandas nacionais.

Um Abraço!!!


Ligações:




6 de novembro de 2010

Painted Black: Metal com sentimento


Depois de dois registos de autor alvos de uma recepção bem aceitável e que valeu à banda ser eleita pelos leitores da revista "Loud" como a melhor banda portuguesa de metal sem contracto discográfico durante 3 anos, os Painted Black chegaram a acordo com a Ethereal Sound Works pela qual lançaram o almejado álbum de estreia. "Cold Confort" é um dos discos do ano. Música enleante, combinando com sobriedade peso e melodia, melancolia e agressividade que resulta numa formula que merece colher frutos. Alguns meses após a edição do disco procuramos saber como tem sido "digerida" a recepção a "Cold Confort". As palavras são do guitarrista da banda, Luis Fazendeiro.


Longa distancia vai da edição de “The Neverlight” para “Cold Comfort”, mas muito maior é diferença entra as duas obras. Mais do que evolução é justo dizer que houve uma transformação na sonoridade Painted Black?

“O Neverlight” foi lançado há 5 anos e ainda tivemos pelo meio o “Verbo”, mas acho natural que nesse espaço de tempo tenhamos crescido como banda. Acho que o nosso som não teve uma transformação muito radical mas crescemos a nível musical e a nível de composição nestes anos e juntamente com a nossa vontade de começar a explorar novas linguagens musicais resultou no que se pode ouvir no “Cold Comfort”. De qualquer forma, a nossa maneira de compor não se alterou muito e continuamos a dar muito de nós em cada nota e cada palavra, e é esta a única maneira que sabemos fazer música.

Alguns meses após a edição de “Cold Confort” já é possível uma auto-critica mais fria e distante da vossa parte ao álbum? Que auto-critica fazem?

Estamos realmente muito orgulhosos do disco que fizemos e da viagem que percorremos até chegar a ele. A maioria das críticas ao disco têm sido bastante lisonjeadoras e não estavamos realmente nada à espera. Quanto à minha auto-critica, acho que temos músicas bastante fortes, e que serão dificilmente repetiveis. Estou a falar por exemplo da “Via Dolorosa” e da “Inevitability”. Foram dos últimos temas a aparecer antes das gravações e acho que “chegaram” em muito boa altura. É óbvio que gosto de todos os temas, porque de certa maneira fazem parte de mim, aliás todos nós na banda gostamos de todas as músicas, principalmente com a excelente produção do Pedro Mendes e do Daniel Cardoso, mas há sempre alguns pormenores que podiam ter saído melhor. Acho que é normal fazer esse tipo de reparos quando já conseguimos ouvir as músicas de uma forma mais fria, mas era um dos nossos grandes sonhos de vida lançar um álbum do qual pudéssemos estar orgulhosos e estamos completamente satisfeitos.

Quando iniciaram gravações presumo que ainda não havia luz sobre uma editora que lançasse o álbum. Quando surgiu a  Ethereal Sound Works e como surgiu? Estão satisfeitos com a colaboração da editora com a banda?

O nosso contacto com a Ethereal Sound Works já vem de antes da edição do álbum. Quando lançámos o “Verbo” eles mostraram interesse em ter exemplares à venda na sua loja online. Na altura de sondar editoras, enviámos-lhes um promo-CD e de todas as propostas que recebemos a deles foi a que mais nos agradou. A partir daí foi um processo natural e eles têm cumprido bem a parte deles. Neste momento a preocupação é na distribuição do disco fora de Portugal, mas estão a ser feitos esforços nesse sentido.

A esta altura têm também uma ideia mais concisa da aceitação do álbum pelo publico já que pelos média ela está a ser muito favorável. Como tem sido esse feedback?

O feedback mais directo tem sido em grande parte dos média mas as reacções das pessoas que têm partilhado a sua opinião connosco têm sido muito boas.  É sempre muito tocante sentir que a nossa música consegue despertar emoções em quem nos ouve e esse é realmente o maior presente que poderíamos ter. Sentimos que estamos a chegar a mais público mas no entanto sabemos que ainda temos que fazer mais trabalho de promoção e estamos a canalizar esforços nesse sentido.

Voltando ao álbum e à musica propriamente. Um dos aspectos que me parecem relevantes é que apesar de haver um “fio condutor” em toda a obra os temas são todos distintos entre si contribuindo para uma maior heterogeneidade. Comungam dessa ideia?

Sim, a variedade sempre pautou a nossa música e não somos claramente uma banda que use uma fórmula fixa para todos os temas que fazemos. A nível lírico existe de facto um fio condutor, mas que não foi de todo propositado, nem foi elaborado para ser algo conceptual. Musicalmente  sentimo-nos como uma banda de metal mas não temos problema nenhum em criar músicas completamente acústicas e atmosféricas. Este aspecto já levou algumas pessoas a dizer que ainda estamos à procura de uma identidade e em parte até concordo. De qualquer forma, não nos estou a ver a abandonar a nossa “heterogeneidade” como referes, até porque  isso faz parte daquilo que construímos até agora e da nossa identidade. Não nos queremos de forma alguma limitar na maneira como nos exprimimos e na maneira como sentimos a nossa música, queremos sempre ser completamente honestos e verdadeiros naquilo que fazemos.

Já tiveram alguns concertos de promoção ao álbum na zona da Grande Lisboa. Perspectivam algo para outras zonas do pais ou estão dependentes dos convites que possam surgir?

Já temos alguns concertos confirmados para outras zonas do país onde nunca tocámos antes, nomeadamente em Mangualde, no 17º Mangualde Hard Metal Fest e em Ílhavo, no X Blindagem Metal Fest. De qualquer maneira estamos sempre dependentes de convites. Já tentámos várias vezes dar o primeiro passo mas infelizmente na maioria das vezes não tivemos retorno do outro lado.

Cada vez mais as conotações musicais tendem a ser redutoras. Vocês apesar de reconhecerem algumas influências vindas do Doom Metal nunca se identificaram como tal. “Cold Confort” surge um pouco como a consumação de um “divorcio” com o Doom. Qual a vossa posição sobre este aspecto?

De facto nunca negámos as nossas influências mais Doom, e desde a altura das maquetes as pessoas sempre nos rotularam como uma banda Doom, mas a verdade é que sempre sentimos que esse rótulo era demasiado redutor, e apesar de sermos fãs do género, não conseguimos ver o paralelo com o que nós fazemos com o que fazem os Process Of Guilt ou os Before The Rain, só para dar dois bons exemplos nacionais. Acho que a primeira música do álbum, “Via Dolorosa” quebra logo esse estigma, mas há mais exemplos, como o single “Winter”. Obviamente não foi uma escolha consciente, porque fazemos sempre o que sentimos e o o álbum é simplesmente um testemunho de uma fase que passámos enquanto pessoas e músicos. Tem elementos de vários sub-estilos dentro do Metal, algumas críticas até já apontaram que tinhamos alguns apontamentos de Post-Rock e outros mais Progressivos, mas nós não pensamos nisso, nem nunca nos sentámos a uma mesa para discutir o estilo a seguir. Talvez o próximo registo seja mais atmosférico ou então caminhe num sentido mais próximo do Rock, é algo que vai depender sempre do nosso estado de espírito mas com a certeza que será sempre sentido e verdadeiro.

A evolução e crescimento dos Painted Black tem sido gradual mas consistente. Depois de conseguirem o contrato com uma editora e verem editado um trabalho vosso em formato profissional qual o próximo passo mais concretizavel?

Neste momento estamos bastante concentrados em tocar o máximo ao vivo e promover o melhor possível o disco. No próximo ano a banda irá fazer o seu 10º aniversário e também queremos fazer algo especial para celebrar essa data. Quando esta fase de concertos acabar, o passo seguinte será claramente criar o nosso segundo álbum, mas ainda é demasiado cedo para entrar em detalhes.


Painted Black – Cold Confort


Etheral Sound Works / 2010

Encontramos-nos numa fase em que a música de peso se vai despindo de algum sentimento (que era seu apanágio e que relembramos com alguma nostalgia nos clássicos que algumas vezes recorremos) privilegiando cada vez mais a agressividade e a técnica em fartos casos explorados até à exaustão. Em alguns casos (não tão raros quanto isso) a música mais parece um exercício matemático. Tão desprovida de sentimento que chega a ser.

Restam algumas excepções que alegram os adeptos com uma visão mais romântica do som eterno. Em Portugal os Painted Black são uma dessas honrosas excepções. E ainda bem!

Toda a música desta banda “transpira” sentimento. Algo que até se percebe pelas declarações prestadas pelo guitarrista da banda, Luis Fazendeiro. Sentimento esse que tem sido o denominador comum na evolução que se tem registado.

Em “Cold Confort” os Painted Black deram um passo maior do que tinham dado de “The Neverlight” para “Verbo”. Nunca se denotou na música de Painted Black tamanha ambiguidade como a registada no álbum de estreia da banda que deu os primeiros passos em Covilhã. Mais do que crescer os Painted Black moldaram o seu som e estão hoje mais perto da identidade que assumem procurar.

Os ambientes registados em temas antigos como por exemplo “The Everlasting Guilt”, “The Desolate Plead” e “Expire” apenas as espaços se encontram. Em troca, as músicas em “Cold Confort” demonstram maior abrangência e riqueza em termos de tempos, ritmos e outros detalhes que dificultam a conotação da música da banda como Doom Metal. “Cold Confort” é um excelente disco de Metal e procurar sub-categorizar o som da banda será um exercício redutor.

A terminar não poderia deixar de destacar dois temas que merecem ser realçados: “Via Dolorosa”, esplêndida "explosão" ritmica alternada com momentos ambientais e carregada de enorme feeling. “Inevitability”, deliciosa e harmoniosa melodia capaz de agarrar o ouvinte do primeiro ao último instante. Dois temas tão diferentes e que tão bem representam aquilo que é a música de Painted Black.

7 de outubro de 2010

The9thCell: Ponto Critico


Orgânica, energética e acutilante. Assim é a música de The9thCell, um projecto de David Pais, conhecido pela participação em bandas como No Tribe e Ashes.

Música sem amarras (a estilos) e de "lingua" afiada é a proposta de David Pais. E é bom que se diga que se trata de uma boa proposta. Pela intensidade, pela abrangência de géneros musicais de The9thCell a sua música não é de assimilação instantânea (nem é isso que o projecto de David se propõe) mas após algumas audições o ouvinte é bem capaz de se surpreender.

Depois do bem conseguido e melhor recebido Ep "Unlock", chega a triologia "Point Blank Range", composta pelos álbuns "Act I – (D)og (E)at (D)og", "Act II - Glocapitalization" e "All.Merry.Cah.". O primeiro capitulo teve edição em Junho, o segundo no dia 5 de Outubro enquanto o terceiro encontra-se por editar.

Tal como no Ep nota-se em "Point Blank Range", do ponto de vista lírico, uma vertente critica do ponto de vista social e politica. Mas sobre isso, nada melhor do que David Pais para esclarecer.

"Act II - Glocapitalization" é parte integrante de uma trilogia denominada "Point Blank Range". Como e porquê a opção por uma trilogia? Do que trata esta trilogia?

David Pais - Bom, optei por tornar este novo trabalho numa trilogia muito basicamente porque tinha imensas músicas para um disco só! Este "Point Blank Range" já traz material de 2007 que entretanto não tinha tido oportunidade de limar e terminar, e quando reparei que já tinha perto de 2 horas e meia de música, decidi separar os temas por três secções distintas: a revolta, a percepção e a melancolia. São basicamente estes os três sentimentos que cada uma destas partes tem, e nesta ordem. A trilogia trata essencialmente de uma questão política e social que me assusta imenso, que é a Globalização e o facto da grande maioria da população se estar a tornar pseudo-americana...e como tal, tentei criar algo que alertasse para o facto de cada vez mais estarmos a perder a nossa individualidade para com uma globalização cada vez mais constante e persistente.

Qual a diferença em termos temáticos de "Act I – (D)og (E)at (D)og” para "Act II - Glocapitalization"?

David Pais - A diferença reside no tópico. O primeiro acto fala um pouco sobre o facto de estarmos num mundo em que nos tramam a todo o instante devido a interesses de todo o lado - falo não só dos governos e das multinacionais, como até mesmo no nosso meio social e, no meu caso, da própria indústria musical - enquanto que o segundo já explora mais o problema, o cerne da questão essencial que é o debate sobre a Globalização, a perda da individualidade para com um mundo cada vez mais uniforme e indistinto.

Neste segundo capitulo contas com algumas participações especiais. Quais são e como surgiram?

David Pais
David Pais - O Dennis conheci-o em Slime Fingers, quando ele tornou-se o vocalista deles. Desde sempre que gostei da voz e da presença dele, e então sempre fiquei curioso por saber como seria o contraste das nossas vozes num tema de The9thCell, e convidei-o sem pensar duas vezes!  Acho que ele fez um excelente trabalho, e ainda fez um solo de guitarra e colocou alguns efeitos bem porreiros, portanto foi uma excelente colaboração! Depois temos o Emmanuel, que é um dos meus melhores amigos. Já o conheço há anos e também temos sempre tentado fazer algo juntos mas por razões que nos superaram até então, nunca tinha sido possível. Convidei-o para tocar guitarra numa música nova, e ele gravou vários samples de riffs, que usei para compôr esta música. E penso que, depois desta experiencia, ficou claro que vamos ter de trabalhar mais vezes juntos, possivelmente num novo projecto! No terceiro tema conto com o Dinis Oliveira, teclista de Owl Pit, que tocou os teclados da "Sexy & Foxy Love on a Cheap Roulotte". Esta música apareceu de uma jam-session que estávamos a fazer em minha casa...ele fazia os teclados todos limpinhos, e eu estragava tudo com a minha guitarra aos berros, que é uma coisa que gosto imenso de fazer! O quarto tema é uma espécie de interlúdio, que foi gravado no local de ensaios de Ashes, apenas com um microfone no meio da sala...! Eu estava a tocar bateria, e nisto o Marco juntou-se a mim no violino, e fizémos aquela improvisação. Mais tarde ouvi-a com mais atenção e não resisti em incluí-la no alinhamento do novo trabalho, por ser perfeita para criar um interlúdio. Por fim, no "Melting Asphalt" conto com a participação do Ricardo Mestre, num tema que compusémos juntos para Wishful Thinking, mas que entretanto pensei em "pedir emprestado" para The9thCell. Como o nosso projecto está um pouco parado e como adoro este tema, não achei justo mantê-lo no silêncio muito mais tempo e pedi-lhe autorização para usá-lo no disco.

Em relação ao terceiro capitulo já podes adiantar algum aspecto? 

David Pais - Sim. O terceiro capítulo chama-se "All.Merry.Cah." e finaliza o debate e intervenção sobre a Globalização. É um disco mais soturno, mais melancólico...um pouco mais pessoal, até. Ainda estou a gravar as vozes para alguns dos temas, mas posso também adiantar que há novas participações, nomeadamente a do Pedro Isidoro (vocalista da minha outra banda, No Tribe), Pedro Caldeira (guitarrista em Ashes), Flávio (vocalista de Oblique Rain) e estou também a contar com uma participação de uma cantora inglesa chamada TyLean, mas ainda não tenho confirmação. No geral, creio que será uma boa conclusão para esta trilogia.

Em que estado se encontram actualmente os teus outros projectos, Ashes e No Tribe? Para quando podemos esperar pelo anunciado novo trabalho de Ashes? Como geres o teu envolvimento com os vários projectos? 

David Pais - Estamos em estúdio, neste momento. O Marco está a terminar as gravações do violino, e eu irei gravar as vozes já no final deste ou início do próximo mês. Ainda não temos datas nenhumas agendadas ou pensadas para o lançamento porque ainda temos muitos detalhes para concluir, mas aponto mais lá para o início de 2011. É-me relativamente fácil gerir os projectos, porque dou prioridade às bandas. Ashes e NoTribe estão à frente de The9thCell, porque no meu projecto a solo posso trabalhar quando quiser, ao passo de que nas bandas dependemos dos ensaios e concertos, por isso a minha prioridade é mesmo as bandas. O resto de tempo e alma que me sobra fica para The9thCell.

Corrige-me se for falha minha mas não me recordo de ter havido um concerto de The9thCell. Será possível de futuro haver algum concerto deste teu projecto?  

David Pais - Este Verão tive a proposta de dois guitarristas para levarmos The9thCell avante com concertos, mas o que ainda não me fez levar essa ideia para a frente foi o facto de eu não ter baterista, porque os concertos teriam de ser semi-orgânicos, visto que estaríamos dependentes de um computador para disparar a secção rítmica. E também porque muito sinceramente, arranjar um baterista que toque o que eu programei, não é fácil de encontrar...e então ainda não me decidi quanto a essa possibilidade. Já fiz até algumas playlists para possíveis concertos, com 9 temas cada concerto, a abranger todos os álbuns...mas ainda bem que referiste isso, porque durante o próximo ano tenciono fazer uma pausa de composição para The9thCell, o que me vai dar mais tempo para organizar uma banda que toque ao vivo. Vou pensar mais concretamente quanto a isso e talvez em breve já haja alguma novidade!


Ligações:



"Point Blank Range" para download legal (clique nos títulos abaixo das imagens):

Act I – (D)og (E)at (D)og












Act II - Glocapitalization