7 de outubro de 2010

The9thCell: Ponto Critico


Orgânica, energética e acutilante. Assim é a música de The9thCell, um projecto de David Pais, conhecido pela participação em bandas como No Tribe e Ashes.

Música sem amarras (a estilos) e de "lingua" afiada é a proposta de David Pais. E é bom que se diga que se trata de uma boa proposta. Pela intensidade, pela abrangência de géneros musicais de The9thCell a sua música não é de assimilação instantânea (nem é isso que o projecto de David se propõe) mas após algumas audições o ouvinte é bem capaz de se surpreender.

Depois do bem conseguido e melhor recebido Ep "Unlock", chega a triologia "Point Blank Range", composta pelos álbuns "Act I – (D)og (E)at (D)og", "Act II - Glocapitalization" e "All.Merry.Cah.". O primeiro capitulo teve edição em Junho, o segundo no dia 5 de Outubro enquanto o terceiro encontra-se por editar.

Tal como no Ep nota-se em "Point Blank Range", do ponto de vista lírico, uma vertente critica do ponto de vista social e politica. Mas sobre isso, nada melhor do que David Pais para esclarecer.

"Act II - Glocapitalization" é parte integrante de uma trilogia denominada "Point Blank Range". Como e porquê a opção por uma trilogia? Do que trata esta trilogia?

David Pais - Bom, optei por tornar este novo trabalho numa trilogia muito basicamente porque tinha imensas músicas para um disco só! Este "Point Blank Range" já traz material de 2007 que entretanto não tinha tido oportunidade de limar e terminar, e quando reparei que já tinha perto de 2 horas e meia de música, decidi separar os temas por três secções distintas: a revolta, a percepção e a melancolia. São basicamente estes os três sentimentos que cada uma destas partes tem, e nesta ordem. A trilogia trata essencialmente de uma questão política e social que me assusta imenso, que é a Globalização e o facto da grande maioria da população se estar a tornar pseudo-americana...e como tal, tentei criar algo que alertasse para o facto de cada vez mais estarmos a perder a nossa individualidade para com uma globalização cada vez mais constante e persistente.

Qual a diferença em termos temáticos de "Act I – (D)og (E)at (D)og” para "Act II - Glocapitalization"?

David Pais - A diferença reside no tópico. O primeiro acto fala um pouco sobre o facto de estarmos num mundo em que nos tramam a todo o instante devido a interesses de todo o lado - falo não só dos governos e das multinacionais, como até mesmo no nosso meio social e, no meu caso, da própria indústria musical - enquanto que o segundo já explora mais o problema, o cerne da questão essencial que é o debate sobre a Globalização, a perda da individualidade para com um mundo cada vez mais uniforme e indistinto.

Neste segundo capitulo contas com algumas participações especiais. Quais são e como surgiram?

David Pais
David Pais - O Dennis conheci-o em Slime Fingers, quando ele tornou-se o vocalista deles. Desde sempre que gostei da voz e da presença dele, e então sempre fiquei curioso por saber como seria o contraste das nossas vozes num tema de The9thCell, e convidei-o sem pensar duas vezes!  Acho que ele fez um excelente trabalho, e ainda fez um solo de guitarra e colocou alguns efeitos bem porreiros, portanto foi uma excelente colaboração! Depois temos o Emmanuel, que é um dos meus melhores amigos. Já o conheço há anos e também temos sempre tentado fazer algo juntos mas por razões que nos superaram até então, nunca tinha sido possível. Convidei-o para tocar guitarra numa música nova, e ele gravou vários samples de riffs, que usei para compôr esta música. E penso que, depois desta experiencia, ficou claro que vamos ter de trabalhar mais vezes juntos, possivelmente num novo projecto! No terceiro tema conto com o Dinis Oliveira, teclista de Owl Pit, que tocou os teclados da "Sexy & Foxy Love on a Cheap Roulotte". Esta música apareceu de uma jam-session que estávamos a fazer em minha casa...ele fazia os teclados todos limpinhos, e eu estragava tudo com a minha guitarra aos berros, que é uma coisa que gosto imenso de fazer! O quarto tema é uma espécie de interlúdio, que foi gravado no local de ensaios de Ashes, apenas com um microfone no meio da sala...! Eu estava a tocar bateria, e nisto o Marco juntou-se a mim no violino, e fizémos aquela improvisação. Mais tarde ouvi-a com mais atenção e não resisti em incluí-la no alinhamento do novo trabalho, por ser perfeita para criar um interlúdio. Por fim, no "Melting Asphalt" conto com a participação do Ricardo Mestre, num tema que compusémos juntos para Wishful Thinking, mas que entretanto pensei em "pedir emprestado" para The9thCell. Como o nosso projecto está um pouco parado e como adoro este tema, não achei justo mantê-lo no silêncio muito mais tempo e pedi-lhe autorização para usá-lo no disco.

Em relação ao terceiro capitulo já podes adiantar algum aspecto? 

David Pais - Sim. O terceiro capítulo chama-se "All.Merry.Cah." e finaliza o debate e intervenção sobre a Globalização. É um disco mais soturno, mais melancólico...um pouco mais pessoal, até. Ainda estou a gravar as vozes para alguns dos temas, mas posso também adiantar que há novas participações, nomeadamente a do Pedro Isidoro (vocalista da minha outra banda, No Tribe), Pedro Caldeira (guitarrista em Ashes), Flávio (vocalista de Oblique Rain) e estou também a contar com uma participação de uma cantora inglesa chamada TyLean, mas ainda não tenho confirmação. No geral, creio que será uma boa conclusão para esta trilogia.

Em que estado se encontram actualmente os teus outros projectos, Ashes e No Tribe? Para quando podemos esperar pelo anunciado novo trabalho de Ashes? Como geres o teu envolvimento com os vários projectos? 

David Pais - Estamos em estúdio, neste momento. O Marco está a terminar as gravações do violino, e eu irei gravar as vozes já no final deste ou início do próximo mês. Ainda não temos datas nenhumas agendadas ou pensadas para o lançamento porque ainda temos muitos detalhes para concluir, mas aponto mais lá para o início de 2011. É-me relativamente fácil gerir os projectos, porque dou prioridade às bandas. Ashes e NoTribe estão à frente de The9thCell, porque no meu projecto a solo posso trabalhar quando quiser, ao passo de que nas bandas dependemos dos ensaios e concertos, por isso a minha prioridade é mesmo as bandas. O resto de tempo e alma que me sobra fica para The9thCell.

Corrige-me se for falha minha mas não me recordo de ter havido um concerto de The9thCell. Será possível de futuro haver algum concerto deste teu projecto?  

David Pais - Este Verão tive a proposta de dois guitarristas para levarmos The9thCell avante com concertos, mas o que ainda não me fez levar essa ideia para a frente foi o facto de eu não ter baterista, porque os concertos teriam de ser semi-orgânicos, visto que estaríamos dependentes de um computador para disparar a secção rítmica. E também porque muito sinceramente, arranjar um baterista que toque o que eu programei, não é fácil de encontrar...e então ainda não me decidi quanto a essa possibilidade. Já fiz até algumas playlists para possíveis concertos, com 9 temas cada concerto, a abranger todos os álbuns...mas ainda bem que referiste isso, porque durante o próximo ano tenciono fazer uma pausa de composição para The9thCell, o que me vai dar mais tempo para organizar uma banda que toque ao vivo. Vou pensar mais concretamente quanto a isso e talvez em breve já haja alguma novidade!


Ligações:



"Point Blank Range" para download legal (clique nos títulos abaixo das imagens):

Act I – (D)og (E)at (D)og












Act II - Glocapitalization

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